O secretário de Agricultura e Pesca do Rio Grande do Norte Guilherme Saldanha alertou, em entrevista ao programa Dê o Play, da Jovem Pan Natal, nesta quinta-feira (14), que ainda há um sentimento de desespero no mercado local e nacional após a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Olha, permanece, eu não tenho dúvida disso”, afirmou o secretário, ao ser questionado sobre o cenário de incerteza nos primeiros dias após o tarifaço entrar em vigor.
Segundo ele, o impacto já é sentido especialmente no setor de exportação de água de coco, concentrado no Nordeste. Ele citou o deputado e produtor de coco Hermano Moraes, destacando que cerca de 80% das exportações brasileiras do produto estão paralisadas desde a semana passada. “Se essas pessoas estiverem sabendo disso, ele me autoriza a dizer que ele é produtor de coco. Está um pavor gigante”, disse.
O secretário ressaltou: “Eu sou produtor de coco também, está todo mundo apavorado, e sem saber o que vai acontecer nos próximos 15 dias, na próxima semana, nos próximos 30 dias, para saber quando é que Trump vai dizer, Brasil, venha para cá conversar com você”.
Ele classificou a medida como uma barreira política. “Isso não é uma questão comercial não, vira uma barreira de um cara com pouquíssimo juízo que está dizendo, tem um problema político no Brasil, eu vou interferir. Eles mandam muito mais mercadoria para a gente do que nós mandamos para eles. A relação comercial é vantajosa para os Estados Unidos”, comentou.
O secretário destacou ainda que grande parte das exportações brasileiras são alimentos. “Na hora que eu vou taxar o alimento, o americano que está indo para o supermercado está tomando mais caro, está certo?”, disse, reforçando o impacto direto para o consumidor americano.
Ele também mencionou outros setores afetados, como o de confeitos. “Hoje eu me encontrei com um empresário na SEDEC, ele atua na área de confeito, bala, caramelos, e ele dizendo que mandar essa perspectiva agora, nesse momento agora, com a questão do Halloween, é na perspectiva de mandar X contêineres, e está mandando 10% disso. O importador diz, manda se precisa mandar alguma coisa aqui para a gente não parar, Halloween que é só no fim de outubro”, relatou.
Por fim, o secretário lamentou a falta de sinalização clara, e de abertura por parte do governo americano para negociações. “Você não sabe se o cara vai ser recebido lá. Precisa ter essa sinalização, que infelizmente o governo americano não está sinalizando”, concluiu.