[VÍDEO] Professora destaca preparo dos alunos para tema sobre etarismo no Enem

A professora observou, contudo, que alguns estudantes tiveram dificuldade com a palavra norteadora do tema “perspectiva”, que exigia uma abordagem mais reflexiva.

Foto: Pedro Henrique Brandão

A professora de redação Ruane Santos avaliou de forma positiva o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, que abordou o etarismo contra pessoas idosas no Brasil. Em entrevista ao programa Repórter 98 nesta segunda-feira (10), Ruane destacou que os alunos estavam bem preparados para discutir a questão, uma vez que o assunto já vinha sendo trabalhado em sala de aula. O tema do Enem deste ano foi: Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira.

Foi uma redação muito boa para o nosso aluno. De uma maneira geral, conseguimos trabalhar essa temática na escola de diversas maneiras”, afirmou a docente. Segundo ela, o colégio havia desenvolvido atividades com foco na “necessidade de combate ao etarismo contra a pessoa idosa no Brasil, considerando um novo contexto demográfico”, em referência aos dados recentes do Censo 2022, que revelaram o envelhecimento da população.

A professora observou, contudo, que alguns estudantes tiveram dificuldade com a palavra norteadora do tema “perspectiva”, que exigia uma abordagem mais reflexiva. “O desafio veio com a palavra. Normalmente temos enunciados como ‘desafios’ ou ‘questão’. Isso confunde o alunato. Mas um aluno bem preparado sabe que a redação do Enem precisa ser problematizada”, explicou.

Ruane também comentou a qualidade dos textos motivadores apresentados na prova, que, segundo ela, ajudaram a contextualizar o debate sobre envelhecimento e estereótipos associados à velhice. “Um dos textos mostrava a mudança do pictograma do idoso — antes representado como uma figura curvada com bengala, agora substituído pelo símbolo ‘60+’. Isso mostra a transformação na forma de enxergar essa etapa da vida”, observou.

Para a professora, a proposta do Enem também convida à reflexão sobre desigualdades sociais que afetam o envelhecimento no país. “O idoso da zona rural ou periférico não enfrenta o envelhecimento da mesma maneira que o indivíduo dos centros urbanos. Essa diferença de condições de vida nos leva a pensar até em conceitos como o de necropolítica”, analisou.

Na avaliação de Ruane, o tema foi relevante e atual, exigindo dos candidatos não apenas repertório sociocultural, mas também sensibilidade diante de uma pauta que reflete o envelhecimento da sociedade brasileira.