PF aponta fintech estrangeira como eixo de esquema de lavagem que envolvia funkeiros e movimentou bilhões

Foto: Reprodução redes sociais

Uma fintech controlada por estrangeiros foi identificada pela Polícia Federal como peça central de um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia artistas do funk, influenciadores e operadores do mercado ilegal. A estrutura financeira, segundo investigadores, permitia a circulação de recursos provenientes de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, apostas ilegais e fraudes digitais.

A apuração integra a Operação Narco Fluxo, que resultou na prisão de dezenas de suspeitos em diferentes estados. De acordo com a PF, a empresa Golden Cat Processamento de Pagamentos atuava como intermediária financeira, viabilizando a movimentação de valores e a ocultação da origem dos recursos em escala internacional.

Entre os alvos estão nomes conhecidos do cenário do funk e do entretenimento digital. A investigação aponta que artistas e influenciadores teriam sido utilizados como vetores para dar aparência lícita às transações, seja por meio de contratos publicitários, eventos ou movimentações associadas à indústria musical.

A PF afirma que o modelo operacional incluía o uso de plataformas digitais, contas de pagamento e criptomoedas para fragmentar e redistribuir valores. Parte dos recursos era enviada ao exterior, dificultando o rastreamento e ampliando o alcance do esquema.

Documentos da investigação indicam que a fintech concentrava valores provenientes de apostas clandestinas e facilitava remessas internacionais. Em alguns casos, os montantes movimentados superavam cifras bilionárias, segundo os investigadores.

Além do núcleo financeiro, a apuração também mira operadores responsáveis por conectar os envolvidos ao sistema bancário e estruturar empresas de fachada. A suspeita é de que a engrenagem funcionava de forma integrada, com divisão de tarefas entre agentes financeiros, intermediários e beneficiários finais.

A Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, criptoativos e bens de alto valor, incluindo veículos de luxo. Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa.

As defesas negam irregularidades e afirmam que as operações financeiras possuem origem lícita. O caso segue sob sigilo.