Financial Times diz que filme sobre Bolsonaro virou “comédia de erros” após revelações sobre Flávio e Daniel Vorcaro

Foto: Divulgação

O jornal britânico Financial Times afirmou, em reportagem publicada nesta segunda-feira (25), que o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, “está virando uma comédia de erros” após as revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a publicação, o caso ameaça a pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro ao associar o financiamento do longa ao empresário, investigado por suposta fraude bilionária ligada ao extinto Banco Master.

A reportagem destaca que o senador teria buscado recursos com Vorcaro para viabilizar a produção do filme, que foi planejado para coincidir com uma eventual candidatura presidencial de Flávio no lugar do pai, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado, segundo o texto do veículo britânico.

Jornal cita fraude bilionária e impacto político

O Financial Times descreve o Banco Master como uma instituição financeira que “implodiu” após acusações de fraude de US$ 2,3 bilhões. A reportagem afirma ainda que o escândalo atingiu nomes ligados ao Legislativo, ao Supremo Tribunal Federal e ao Banco Central.

Daniel Vorcaro, que está preso, tenta negociar um acordo de delação premiada com autoridades brasileiras. Segundo o texto, a Polícia Federal rejeitou a proposta, enquanto as negociações seguem com a Procuradoria-Geral da República.

O jornal britânico também menciona que Flávio Bolsonaro negou irregularidades nas negociações e afirmou ter conhecido Vorcaro antes das denúncias de fraude envolvendo o banco.

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Conversas e encontro vieram à tona

De acordo com a publicação, o senador passou a ser diretamente associado ao caso após reportagens do site Intercept Brasil divulgarem conversas e áudios em que ele pedia recursos ao ex-banqueiro para financiar o filme. Inicialmente, Flávio negava proximidade com Vorcaro, mas depois admitiu as negociações.

Ainda segundo o texto, o acordo poderia chegar a R$ 134 milhões, embora o parlamentar afirme que apenas R$ 61 milhões foram efetivamente repassados.

Na semana passada, também foi revelado que Flávio Bolsonaro se encontrou pessoalmente com Vorcaro em São Paulo após a primeira prisão do ex-banqueiro, em novembro de 2025. O senador confirmou o encontro depois da divulgação do caso pelo portal Metrópoles.

Produção também enfrenta outras controvérsias

O Financial Times afirma que o orçamento de “Dark Horse” chama atenção por superar produções brasileiras recentes de grande porte. O texto compara os custos do longa ao filme “O Agente Secreto”, indicado ao Oscar e que teve orçamento estimado em R$ 27 milhões.

A reportagem também cita reclamações trabalhistas feitas por um sindicato de São Paulo sobre as condições no set de filmagem, além de uma disputa envolvendo o suposto uso não autorizado de uma música coescrita pela cantora Beyoncé em um teaser da produção.

Apesar das polêmicas, aliados da família Bolsonaro acreditam que o filme pode alcançar grande público no Brasil e nos Estados Unidos. O ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon afirmou ao Financial Times que pretende ajudar na divulgação do longa no mercado americano.

O ator Jim Caviezel, conhecido por protagonizar “A Paixão de Cristo”, interpreta Jair Bolsonaro no filme, que retrata a campanha presidencial de 2018 e o atentado a faca sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora (MG).