O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, reconheceu que a repercussão do caso “Dark Horse” provocou desgaste na candidatura do parlamentar e influenciou negativamente seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
Em entrevista ao jornal O GLOBO, Marinho afirmou que a exposição da relação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro gerou impacto político. No entanto, ele avaliou que os efeitos tendem a ser temporários.
“Sem dúvida nenhuma, isso deu um abalo na campanha”, declarou o senador.
Prestação de contas
Segundo Marinho, o desgaste poderia ter sido menor caso a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro tivesse sido esclarecida publicamente antes da divulgação das informações.
Além disso, o senador afirmou esperar que a prestação de contas prometida pela campanha contribua para encerrar a discussão sobre o tema.
Questionado sobre a possibilidade de substituição do candidato em caso de novos desdobramentos, Marinho descartou qualquer mudança.
“Flávio é o nosso plano A, B, C e F”, afirmou.
Disputa interna e vice
O senador também comentou as divergências existentes dentro do campo conservador. Segundo ele, a pluralidade de opiniões dentro do partido representa, ao mesmo tempo, uma força e um desafio político.
Ao falar sobre declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, Marinho afirmou que existem diferenças de estilo, mas destacou a convergência de ideias dentro do grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sobre a escolha do candidato a vice-presidente, o senador disse que a definição deverá ocorrer nas próximas semanas. Ele citou nomes que vêm sendo mencionados nos bastidores, entre eles Júlia Zanatta, Tereza Cristina, Priscila Costa e Simone Marquetto.
Economia e reforma administrativa
Durante a entrevista, Marinho também abordou temas econômicos. O senador defendeu o equilíbrio das contas públicas, a manutenção dos programas sociais e a realização de uma reforma administrativa.
Segundo ele, o país precisa revisar estruturas consideradas ineficientes e discutir mudanças nas carreiras do serviço público.
Além disso, o parlamentar criticou a proposta de redução da jornada de trabalho associada ao fim da escala 6×1. Na avaliação dele, a medida pode gerar dificuldades para pequenas e médias empresas.
Proposta alternativa
Como alternativa, Marinho apresentou uma proposta que permitiria ao trabalhador optar entre o modelo tradicional previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e um regime baseado em horas trabalhadas.
Para o senador, o debate sobre a jornada de trabalho deve considerar diferentes realidades do mercado e ocorrer de forma paralela às demais propostas em discussão no Congresso Nacional.
“Espero que possamos discutir as propostas de forma concomitante. Não tenho nenhuma dificuldade de fazer a discussão de mérito”, afirmou.