Ministro vê tentativa de interferência em ordem sobre policiais cedidos

Mendonça é relator do caso Master e das investigações sobre desvios em aposentadorias do INSS, processos que envolvem parlamentares e ministros do próprio tribunal.

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça - Foto: Carlos Alves Moura/SCO/STF
Foto: Carlos Alves Moura/SCO/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça avisou o governo Lula, nos bastidores, que a determinação do Ministério da Justiça para o retorno de policiais cedidos pode configurar obstrução de Justiça caso atinja a Corte. A apuração é de Malu Gaspar, d’O Globo.

Mendonça é relator do caso Master e das investigações sobre desvios em aposentadorias do INSS, processos que envolvem parlamentares e ministros do próprio tribunal.

Quatro delegados da Polícia Federal atuam hoje no STF: dois no gabinete de Mendonça, um com Luiz Fux e um com Alexandre de Moraes.

Mais de 50 órgãos públicos já receberam a notificação do Ministério da Justiça, mas o STF não foi incluído até o momento na medida.

O governo justifica a decisão como parte do reforço à segurança pública no combate ao crime organizado, sem relação com o STF.

No tribunal, a interpretação é distinta: a medida poderia abrir espaço para interferência do Palácio do Planalto nas investigações antes das eleições presidenciais.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, disse que o ministério ainda avalia o retorno dos delegados cedidos à Corte, sem prazo definido.

O governo Lula também pressiona pelo arquivamento da investigação sobre Fábio Luís Lula da Silva no caso INSS, que tem a empresária Roberta Luchsinger como peça central da apuração.