[VÍDEO] Moraes afirma que grupo golpista quase trouxe nova ditadura ao Brasil por não “saber perder eleições”

Em seu voto, Moraes descreveu uma série de ações violentas, as quais ele defende que foram orquestradas pelo grupo golpista. Foto: Rosinei Coutinho/STF

Durante o terceiro dia do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado, nesta terça-feira (9), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o grupo apontado como idealizador da trama golpista quase trouxe uma nova ditadura ao Brasil por não “saber perder eleições”. Ele defendeu ainda a natureza violenta dos atos, indo além do dia 8 de janeiro.

Veja as falas do ministro:

Em seu voto, Moraes descreveu uma série de ações violentas, as quais ele defende que foram orquestradas pelo grupo golpista. “No dia 12 de dezembro de 2022, tivemos violentíssimos ataques, queimando ônibus, invadindo, tentando invadir a Polícia Federal, virando ônibus, tudo insuflado pelo discurso de que teria ocorrido fraude nas urnas”, disse o ministro.

Ele comparou os ataques ao ocorrido no dia 8 de janeiro, quando um grupo com centenas de pessoas invadiram e depredaram a Sede dos Três Poderes, em Brasília. “Assim como no dia 8 de janeiro, no dia 12 se tentou impedir a diplomação, se tentou impedir que aqueles que foram legitimamente eleitos pela maioria do eleitorado pudessem ser diplomados e assumissem os seus cargos.”

Moraes citou ainda uma tentativa de atentado no dia 24 de dezembro do mesmo ano, quando três homens tentaram explodir um caminhão-tanque nos arredores do aeroporto de Brasília, “Se nós pegássemos essa bomba no aeroporto de forma isolada, é uma coisa. Não, nós estamos falando de uma sequência aqui de tentativa de perpetuação do poder a todo custo. Estamos falando de pessoas sendo financiadas, há vários, carne chegando, comida chegando em acampamentos ilegais na frente dos quartéis, para pressionar que aqueles legitimamente eleitos não tomassem posse.”

O ministro afirmou que tais ações culminaram na tentativa de golpe do dia 8 de janeiro: “Nós estamos falando dessas pessoas que depois foram coordenadas no dia 8 de janeiro para a tentativa de golpe, que é o reflexo final de toda essa organização criminosa. E essa bomba não explodiu por pouco, acarretaria a morte de centenas de pessoas.”

Por fim, Moraes destacou a gravidade do ocorrido e o risco que representou à democracia brasileira: “Estamos esquecendo aos poucos que o Brasil quase volta a uma ditadura que durou 20 anos, porque uma organização criminosa, constituída por um grupo político, não sabe perder eleições.”

A sessão desta terça-feira prossegue com a análise das provas e depoimentos apresentados no julgamento, considerado um dos mais importantes processos sobre ameaças à democracia no país.