Sem acesso direto a Bolsonaro, aliados não conseguem checar orientações atribuídas ao ex-presidente

O acesso ao ex-presidente ficou restrito a Michelle Bolsonaro, aos filhos e a profissionais de saúde, advogados e funcionários da residência. O contato com políticos, antes permitido na Polícia Federal, não é mais autorizado.

Ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Agência Brasil
Foto: Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar desde março, mantém participação nas decisões da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto. Temas como a definição de palanques estaduais seguem passando por ele. A informação é d’O Globo.

O acesso ao ex-presidente ficou restrito a Michelle Bolsonaro, aos filhos e a profissionais de saúde, advogados e funcionários da residência. O contato com políticos, antes permitido na Polícia Federal, não é mais autorizado.

Flávio passou a fazer a interlocução entre o pai e o restante do grupo político. É por meio dele que chegam a Bolsonaro as informações sobre as articulações da campanha e retornam orientações sobre decisões estratégicas.

A equipe do senador Rogério Marinho (PL-RN), que é o coordenador da pré-campanha, trabalha em um diagnóstico dos palanques estaduais a ser levado a Bolsonaro ainda neste mês. A expectativa é que o aval do ex-presidente resolva impasses e reduza disputas internas.

Aliados afirmam que a configuração ampliou o peso político de quem faz a interlocução com o ex-presidente. Segundo esses relatos, decisões passaram a chegar ao grupo acompanhadas da justificativa de que representam a vontade de Bolsonaro, sem possibilidade de checagem direta.

O incômodo é rebatido por aliados de Flávio, que afirmam confiar na interlocução com o pai. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, minimiza o problema e diz que orientações relevantes de Bolsonaro rapidamente chegam à imprensa e aos aliados.

O senador Izalci Lucas (PL-DF) confirmou que Flávio consulta o pai nas visitas semanais. Segundo ele, Bolsonaro tem acompanhamento policial dentro de casa — o que torna o acesso de terceiros ao ex-presidente inviável.

A influência de Bolsonaro se manifesta nas negociações com estados. Ele acompanha a definição de candidaturas majoritárias e tem participação nas discussões sobre as chapas ao Senado, incluindo as disputas no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.