Styvenson naturaliza nepotismo, cogita irmã na suplência e cita negociação com empresários por influência no Senado

Senador afirma que mudou sua visão sobre nepotismo, diz que irmã está entre os cotados para a suplência e revela que empresários ofereceram recursos para integrar chapa em troca do acesso proporcionado pelo cargo

Senador Styvenson Valentim (Podemos-RN). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Styvenson Valentim (Podemos-RN) provocou uma nova controvérsia ao admitir que mudou sua posição sobre o nepotismo, defender a possibilidade de indicar um familiar para um cargo público e revelar que empresários procuraram seu gabinete oferecendo recursos para a campanha em troca da vaga de suplente ao Senado.

As declarações foram dadas durante entrevista à 96 FM, quando o parlamentar explicou os critérios que considera para definir quem ocupará a suplência em sua eventual candidatura à reeleição em 2026.

Segundo Styvenson, sua irmã está entre os três nomes avaliados para a função. O senador afirmou que passou a enxergar o nepotismo de forma diferente da que defendia no início de sua trajetória política.

Uma vez eu pensei assim, eu criticava mesmo a questão de algo que é nocivo, que hoje eu vejo que não é tanto, que é a questão do nepotismo. Se você tiver uma pessoa na sua família, que trabalhe bem, quer dizer que não possa ser empregado no setor público? O que impede isso?“, declarou.

Na avaliação do parlamentar, o fato de um candidato possuir parentes qualificados não deveria impedir uma eventual nomeação para funções públicas.

A gente vê só no primeiro escalão. E a gente vê o nepotismo sem ser nepotismo no STF“, afirmou.

Irmã entre os cotados

Styvenson confirmou que sua irmã integra a lista de possíveis suplentes justamente por considerar que ela reúne confiança pessoal para dar continuidade ao mandato em caso de afastamento do titular.

O senador argumentou que a experiência vivida durante o mandato influenciou sua mudança de entendimento sobre o tema.

É mais fácil a gente confiar em quem a gente conviveu a vida toda, em quem conhece a vida toda. Na minha irmã, que é mais velha do que eu, que me ensinou muita coisa, que também me corrige por várias vezes, eu acho que pode ser um nome bom.

Apesar da declaração, o parlamentar afirmou que a definição ainda não foi tomada.

Esse assunto ainda não está resolvido. Tem três nomes.

Empresários ofereceram recursos para integrar chapa

Durante a entrevista, Styvenson também fez uma revelação sobre os bastidores da formação de chapas para o Senado.

Segundo ele, dois empresários manifestaram interesse em ocupar a suplência e ofereceram recursos para financiar sua campanha.

São dois empresários do Sul, um do Espírito Santo, um megaempresário que apareceu no meu gabinete me oferecendo recurso para a campanha. E um outro também da aviação, de transportadora de aviação, que também me ofereceu recurso.

Na sequência, o senador afirmou que, na avaliação dele, o interesse desses empresários não seria exercer o mandato, mas utilizar a condição de suplente para ampliar sua influência política.

O que eles querem é o acesso. É o acesso de uma suplência, não para ocupar a cadeira, não para ser senador da República, mas para destravar pautas dentro do Congresso e até nos ministérios utilizando o cargo de suplente.

“É assim que se escolhe suplente”

Styvenson afirmou que a escolha de suplentes costuma seguir critérios políticos e financeiros, descrevendo o modelo como uma prática comum nas disputas eleitorais.

Se as pessoas não sabem como se escolhe suplente, a escolha é assim. Ou se escolhe pelo pragmatismo político, ou voto, ou recurso, ou dinheiro. Normalmente são empresários que bancam a campanha de senador.

Ele acrescentou que, no seu caso, ainda avalia optar por um nome de sua confiança pessoal em vez de seguir a lógica tradicional.

Ainda não fiz essa escolha, mas eu quero uma pessoa que dê continuidade ao trabalho que eu já iniciei.

Mudança de discurso

Ao justificar a possibilidade de indicar a própria irmã, Styvenson relacionou a decisão à experiência que teve durante o primeiro mandato.

Segundo ele, em 2022 deixou de disputar o Governo do Rio Grande do Norte porque não tinha segurança em relação ao suplente que ocupava sua chapa.

Em 2022 eu fui impedido de concorrer porque eu não tinha segurança de concorrer com tranquilidade, sabendo que meu suplente não era aquela pessoa que foi escolhida por mim, não era uma pessoa de confiança e credibilidade.

O senador também afirmou que considera a confiança um critério mais importante do que o perfil político do futuro suplente.

A competência foi construída. Eu não tinha perfil político nenhum em 2018. Nada melhor do que o modelo para ser seguido. É só dar continuidade ao que já foi feito.

As declarações reacendem o debate sobre o papel dos suplentes no Senado, uma função que não passa pelo voto direto do eleitor e que frequentemente é alvo de questionamentos pela influência política e econômica envolvida em sua composição.