Pedido de vista interrompe julgamento no TSE sobre pesquisa suspensa após ação de Flávio Bolsonaro

Com interrupção da análise, segue em vigor a decisão de Kássio Nunes Marques que retirou levantamento de circulação até deliberação da Corte

Foto: Luiz Roberto/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) interrompeu nesta terça-feira o julgamento que analisa a decisão do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, de suspender a divulgação de uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A paralisação ocorreu após pedido de vista da ministra Estela Aranha. Com isso, permanece em vigor a liminar concedida por Nunes Marques até que o caso volte à pauta para análise dos demais ministros. Ainda não há previsão para a retomada do julgamento.

Antes da interrupção, o plenário ouviu os argumentos apresentados pelo presidente do TSE para justificar a medida, além das manifestações das defesas da AtlasIntel e do Partido Liberal (PL).

Ao comentar o pedido de vista, Kassio Nunes Marques afirmou que o prazo adicional permitirá aprofundar os estudos sobre o tema e ampliar o diálogo com os institutos de pesquisa.

PL questiona metodologia da pesquisa

A ação foi apresentada pelo PL, que questionou a metodologia utilizada pela AtlasIntel em levantamento envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. O partido alegou que a sequência de perguntas aplicada aos entrevistados teria potencial para influenciar as respostas relacionadas à imagem e à intenção de voto do parlamentar.

Na decisão liminar proferida na segunda-feira (8), Nunes Marques considerou que foram apresentados elementos suficientes para justificar uma análise mais aprofundada sobre a neutralidade metodológica do questionário.

O ministro também determinou que o instituto se abstivesse de promover nova divulgação, republicação, impulsionamento ou manutenção da pesquisa até nova deliberação do Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo a decisão, a controvérsia envolve questionamentos sobre a estrutura do questionário utilizado e sobre a possibilidade de influência nas respostas dos entrevistados em razão da ordem e do conteúdo das perguntas.

A AtlasIntel nega qualquer irregularidade. Em manifestação encaminhada à Corte, o instituto afirmou que não houve indução dos participantes e sustentou que o levantamento seguiu critérios técnicos compatíveis com pesquisas eleitorais regularmente registradas.

Com o pedido de vista, a análise do caso permanece suspensa até que o processo seja devolvido para julgamento pelo plenário do TSE.