A perda de um animal de estimação pode causar impactos emocionais profundos e, em alguns casos, evoluir para um transtorno psicológico. Um estudo publicado na revista científica PLOS One aponta que cerca de 7,5% das pessoas que perdem um pet desenvolvem transtorno de luto prolongado.
Para muitos tutores, cães e gatos são considerados membros da família, companheiros diários e fonte constante de afeto e apoio emocional. Quando esse vínculo é rompido, a dor pode ser intensa e nem sempre compreendida.
A perda de um animal de estimação pode causar impactos emocionais profundos e, em alguns casos, evoluir para um transtorno psicológico. Um estudo publicado na revista científica PLOS One aponta que cerca de 7,5% das pessoas que perdem um pet desenvolvem transtorno de luto… pic.twitter.com/equI4mMS1B
— 98 FM Natal (@98FMNatal) February 26, 2026
Luto nem sempre é reconhecido
Entre os principais fatores de risco para o agravamento do sofrimento está a falta de apoio social. Diferente do que acontece em outras perdas, o luto por um pet muitas vezes não é validado por amigos, familiares ou colegas de trabalho.
Foi o que aconteceu com a administradora Fernanda Brandão, que perdeu a cadela Mel há cerca de sete meses. Segundo ela, o vínculo era profundo e comparável ao de um integrante da família.
“Ela era membro da nossa família. É um sentimento de muito amor, de muita lealdade, de muito afeto. Acho que é por isso que a dor é tão grande”, relata.
Especialistas alertam que o chamado luto não reconhecido pode intensificar o sofrimento emocional, gerando sentimentos de culpa, isolamento e tristeza prolongada.
Quando o luto vira transtorno
O transtorno de luto prolongado é caracterizado pela persistência intensa da dor, dificuldade de retomar a rotina e sofrimento que se estende por meses, impactando a vida pessoal e profissional.
Diante dessa realidade, surgem iniciativas voltadas ao acolhimento de tutores enlutados. Há oferta de suporte psicológico especializado, grupos de apoio e até rituais de despedida personalizados. Algumas empresas também começam a discutir a concessão de licenças específicas para funcionários que perderam seus animais de estimação.
A psicológa Amarilis Dak reforça que rituais simbólicos — como cerimônias, cartas ou homenagens — podem ajudar na elaboração do luto. “O ritual é um fechamento. Todos os rituais na vida são importantes. Quando não fazemos isso, pode surgir um sentimento de culpa muito grande”, explica.