Airfryer pode formar acrilamida? Veja quais alimentos exigem mais atenção no preparo

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A airfryer se consolidou como um dos eletrodomésticos mais populares das cozinhas brasileiras por permitir o preparo de alimentos com pouco ou nenhum óleo. Apesar da praticidade, o equipamento também desperta dúvidas sobre a formação da acrilamida, um composto químico associado a possíveis riscos à saúde.

Segundo especialistas, a substância não é produzida pela airfryer em si. Ela pode surgir sempre que alimentos ricos em amido são submetidos a temperaturas elevadas em ambientes com calor seco, independentemente do método de preparo.

Isso significa que o mesmo processo pode ocorrer em fornos convencionais, torradeiras, chapas, grelhas e fritadeiras por imersão.

Como a acrilamida é formada

A acrilamida é resultado de uma reação química natural conhecida como reação de Maillard. O processo acontece quando o aminoácido asparagina reage com açúcares naturais presentes nos alimentos em temperaturas superiores a aproximadamente 120 °C.

Essa mesma reação é responsável pela coloração dourada, pelo aroma e pelo sabor característicos de alimentos assados, tostados e fritos.

A airfryer apenas cria as condições para que essa reação aconteça, sem produzir a substância diretamente.

Quais alimentos podem formar acrilamida

Os alimentos com maior potencial para formar acrilamida são aqueles ricos em amido preparados em altas temperaturas e com pouca umidade. Entre eles estão:

  • Batata inglesa;
  • Batata-doce;
  • Mandioca;
  • Mandioquinha;
  • Inhame;
  • Cará;
  • Milho;
  • Pipoca;
  • Torradas;
  • Biscoitos;
  • Cereais matinais;
  • Massas assadas e outros produtos de panificação;
  • Café torrado.

Já vegetais como abobrinha, cenoura, berinjela e couve-flor apresentam menor risco, por possuírem menos amido e açúcares redutores. Ainda assim, pequenas quantidades da substância podem ser formadas caso esses alimentos sejam preparados por tempo excessivo até escurecerem.

Como reduzir a formação da substância

Especialistas destacam que não há necessidade de deixar de usar a airfryer. Algumas mudanças simples no preparo ajudam a diminuir a formação da acrilamida. Entre as principais recomendações estão:

  • Preparar alimentos ricos em amido entre 160 °C e 180 °C, evitando temperaturas máximas sempre que possível;
  • Cortar batatas e tubérculos em pedaços maiores, reduzindo a superfície exposta ao calor;
  • Deixar batatas e outros tubérculos de molho em água por 15 a 30 minutos antes do preparo para remover parte dos açúcares da superfície;
  • Não encher completamente o cesto da airfryer, permitindo melhor circulação do ar quente;
  • Retirar os alimentos quando estiverem levemente dourados, evitando que escureçam ou queimem;
  • Não prolongar o tempo de preparo apenas para obter mais crocância;
  • Alternar a airfryer com outros métodos de cocção, como alimentos cozidos, no vapor ou refogados.

Acrilamida aumenta o risco de câncer?

A preocupação em torno da acrilamida surgiu principalmente a partir de pesquisas realizadas com animais, nas quais doses elevadas da substância foram associadas a danos ao DNA, alterações neurológicas, problemas reprodutivos e aumento do risco de alguns tipos de câncer.

Esses resultados levaram a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) a classificar a acrilamida como “provavelmente carcinogênica para humanos”.

No entanto, especialistas ressaltam que os estudos disponíveis ainda não comprovaram de forma consistente que a ingestão habitual da acrilamida presente nos alimentos aumente o risco de câncer em pessoas.

Por isso, a recomendação atual é adotar medidas para reduzir a exposição, sem abandonar alimentos ou métodos de preparo que podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.