Após 21 anos, Antonio Pinto se aposenta e denuncia problemas na Polícia Civil

Segundo o relato, ao longo da carreira, todas as suas promoções ocorreram por via judicial - Foto: Reprodução

Um policial civil do Rio Grande do Norte se aposentou em março de 2026, após 21 anos de atuação, e fez uma série de denúncias sobre a estrutura interna da corporação, relatando perseguições, falta de valorização e distorções nos critérios de promoção.

De acordo com o depoimento, todas as suas promoções ao longo da carreira ocorreram por via judicial. Ele afirma que o avanço funcional dentro da instituição estaria condicionado a apadrinhamento político e critica mudanças nas regras que reduziram o tempo mínimo para alcançar o topo da carreira, de 20 para 18 anos, com discussões sobre nova redução para 15 anos.

O policial também relata ter sido alvo de transferências frequentes, que classifica como injustificadas, além de ter sido designado, segundo ele, para funções mais difíceis. Durante a trajetória, afirma ter comandado quase dez delegacias no interior do estado, sob cobranças do Ministério Público e do Judiciário, que, de acordo com seu relato, resultavam em encaminhamentos à corregedoria e abertura de procedimentos administrativos.

Ainda segundo o agente, essas medidas teriam como objetivo forçar sua saída da instituição ou provocar constrangimento. Apesar disso, ele afirma que permaneceu na carreira até cumprir o tempo necessário para a aposentadoria.

O agora aposentado também faz críticas mais amplas à corporação, que, segundo ele, enfrenta problemas estruturais. Na avaliação apresentada, profissionais que atuam de forma ética seriam perseguidos, enquanto irregularidades não seriam devidamente punidas.

Mesmo com as críticas, o policial destacou que deixa colegas que considera qualificados, embora, segundo ele, estejam fora dos centros de decisão.