O nível de endividamento das famílias brasileiras voltou a crescer e já alcança 49,9% da renda, enquanto o comprometimento mensal com dívidas chegou a 29,7%, de acordo com dados do Banco Central divulgados nesta segunda (27).
Os números mostram que quase metade da renda das famílias está vinculada a dívidas acumuladas e que cerca de um terço do rendimento mensal já é destinado ao pagamento de parcelas de empréstimos, financiamentos e outras operações de crédito.
De acordo com os dados, em março, o saldo das operações de crédito destinadas às famílias somou R$ 4,5 trilhões, com alta de 0,8% no mês e avanço de 10,9% em 12 meses no crédito às pessoas físicas.
No total, o crédito do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,2 trilhões, com crescimento de 0,9% em março e de 9,7% em 12 meses.
Entre as modalidades mais usadas pelas famílias estão cartão de crédito à vista, crédito consignado para trabalhadores do setor privado e financiamentos de veículos. O consignado, por exemplo, cresceu 10,1% em 12 meses.
Apesar da expansão do crédito, os juros seguem elevados. A taxa média das operações chegou a 33,1% ao ano. No crédito livre, o índice foi de 48,3% ao ano, enquanto para pessoas físicas atingiu 61,5% ao ano, alta de 4,7 pontos percentuais em 12 meses.
A inadimplência das famílias ficou em 5,3%, com alta de 1,4 ponto percentual em um ano, indicando aumento nas dificuldades para pagamento de dívidas.
O comprometimento da renda das famílias subiu 1,9 ponto percentual em 12 meses e atingiu 29,7%, reforçando a pressão sobre o orçamento doméstico em um cenário de juros altos e maior dependência de crédito.