A gordura no fígado, muitas vezes tratada como uma condição sem gravidade, pode ser um sinal de alerta para problemas de saúde mais sérios, incluindo doenças cardiovasculares. O tema foi discutido nesta quarta-feira (10) durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan Natal, que recebeu a gastroenterologista e hepatologista Auzelivia Rêgo, a nutricionista Natália Oliveira e o profissional de educação física Victor Araújo para falar sobre o Hepato Day RN e a conscientização sobre a saúde do fígado.
Segundo a hepatologista Auzelívia Rêgo, a esteatose hepática — conhecida popularmente como gordura no fígado — é atualmente uma das doenças hepáticas mais comum no mundo e pode sinalizar algo muito maior. “A gordura no fígado pode evoluir para inflamação, fibrose, cirrose e até um câncer de fígado, mesmo que a pessoa não tenha ingestão de álcool”, alertou.
A médica destacou que estudos populacionais apontam que cerca de quatro em cada dez pessoas apresentam algum grau de gordura no fígado. Embora nem todos os casos evoluam para complicações, a condição costuma estar associada a fatores como diabetes, obesidade, colesterol elevado e síndrome metabólica. Além dos impactos sobre o próprio fígado, a doença também pode estar relacionada ao surgimento de problemas cardiovasculares.
“”Hoje a gente já sabe que a gordura no fígado pode anteceder, em até 10 anos, um evento cardiovascular. De forma simples, alguém que infartou hoje ou teve um AVC hoje, 10 anos antes tinha gordura no fígado”, afirmou a médica.
Durante a entrevista, a nutricionista Natália Oliveira ressaltou que a alimentação desempenha papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento da doença. Segundo ela, o padrão alimentar mais recomendado é baseado na dieta mediterrânea. “A base dessa dieta é constituída por vegetais, frutas e legumes, que fornecem fibras e são ricos em micronutrientes e antioxidantes, substâncias que protegem o organismo e o fígado”, explicou.
O educador físico Victor Araújo também destacou a importância da prática regular de atividades físicas para a saúde hepática. “Não necessariamente é preciso perder peso na balança para obter resultados no fígado. A partir do momento em que o indivíduo inicia a prática de exercícios, já ocorre um processo de desinflamação da região”, afirmou.
O Hepato Day RN faz parte de um movimento internacional e, no Rio Grande do Norte, é promovido pela Sociedade Norte-Rio-Grandense de Gastroenterologia. Neste ano, a iniciativa tem como foco a esteatose hepática e promove, nesta quinta-feira (11), o Dia D da mobilização, voltado à conscientização sobre a doença.