As iniciativas do governo federal para se aproximar dos trabalhadores de aplicativos ainda enfrentam resistência dentro da categoria, que considera insuficientes as medidas anunciadas por não atacarem a principal reivindicação do setor: o aumento da remuneração pelas corridas e entregas. Embora a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha ampliado ações voltadas ao segmento, como linhas de crédito, pontos de apoio e maior transparência nos pagamentos, muitos profissionais afirmam desconhecer essas iniciativas ou as classificam como paliativas.
Desde a chegada de Guilherme Boulos à Secretaria-Geral da Presidência, o governo intensificou a agenda destinada aos motoristas e entregadores por aplicativo. Entre as medidas adotadas estão a exigência de que as plataformas detalhem os valores repassados aos trabalhadores, a oferta de linhas de crédito para financiamento de carros e motos, recursos para reduzir o custo do aluguel de bicicletas elétricas e a criação de pontos de descanso equipados para a categoria. Também estão previstos grupos de trabalho e um comitê interministerial para acompanhar a implementação de políticas públicas voltadas ao setor.
Apesar das ações, trabalhadores ouvidos pela Folha de S. Paulo afirmaram que a prioridade continua sendo a definição de uma remuneração mínima. A reivindicação também é defendida por representantes de associações e sindicatos, que avaliam que o tema é mais relevante do que benefícios considerados pontuais. A regulamentação do trabalho por aplicativos, proposta pelo governo, segue parada na Câmara dos Deputados e ainda enfrenta divergências entre trabalhadores, empresas e parlamentares.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil tinha cerca de 1,7 milhão de trabalhadores por aplicativos em 2024. A maioria é formada por homens, pessoas pretas ou pardas e trabalhadores com idade entre 25 e 39 anos. Segundo relatos da categoria, além da remuneração, persistem preocupações com as condições de trabalho e a falta de garantias sociais.
Especialistas avaliam que as medidas anunciadas pelo governo podem gerar benefícios imediatos, mas afirmam que mudanças estruturais dependem do avanço da regulamentação da atividade e da construção de um consenso entre trabalhadores, plataformas digitais e poder público. Enquanto isso, o debate sobre melhores condições de trabalho permanece como um dos principais desafios para o setor.
Com informações da Folha de S.Paulo