Governo mira partidos e prepara resposta a Alcolumbre após rejeição a Messias

Executivo aponta dissidências nos partido como determinantes para o placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis

Foto: Ricardo Stuckert / PR

Após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao STF, o presidente Lula reuniu aliados no Palácio da Alvorada para identificar os responsáveis pela derrota. O governo aponta dissidências no MDB e no PSD como determinantes para o placar de 42 votos contrários e 34 favoráveis.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é apontado como o principal articulador da derrota, com a participação do ministro Alexandre de Moraes e do senador Rodrigo Pacheco. Moraes negou envolvimento e afirmou não ter participado de jantar realizado na véspera da votação na residência oficial de Alcolumbre.

Entre as medidas em estudo, aliados de Lula defendem a exoneração de ministros indicados por Alcolumbre, como Waldez Góes, da Integração Regional, e Frederico Siqueira, das Comunicações. A decisão, porém, não deve ser tomada de imediato.

O próprio Lula orientou o entorno a agir sem precipitação, repetindo que “não se devem tomar decisões a 39 graus de febre”. Qualquer reação está prevista para a semana seguinte ao feriado, após a conclusão do mapeamento político da derrota.

O ministro José Guimarães, da articulação política, afirmou que o momento exige inteligência, não impulso. A derrota representa um revés para Guimarães, que assumiu o cargo no lugar de Gleisi Hoffmann e tinha a aprovação de Messias como uma de suas primeiras grandes missões.

A rejeição é a primeira a um indicado presidencial ao STF desde 1894 e expõe uma rachadura entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado. Lula ligou para Messias logo após o resultado e demonstrou preocupação com o estado emocional do ex-indicado.