O ex-marinheiro Grenaldo de Jesus Silva, perseguido durante a ditadura militar brasileira, foi sepultado na última sexta-feira (26), em São Paulo, mais de 50 anos após sua morte. A cerimônia ocorreu após a identificação de seus remanescentes ósseos, realizada em 2025 pelo Projeto Perus, entre os corpos encontrados na Vala Clandestina de Perus.
O sepultamento reuniu familiares, representantes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e de entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. A cerimônia teve início no Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF), seguindo para o Cemitério Dom Bosco, onde ocorreu o enterro.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, afirmou que a identificação representa um ato de reparação histórica e reforça o compromisso do Estado brasileiro com a memória, a verdade, a justiça e a não repetição das violações ocorridas durante a ditadura. Ela destacou ainda que o reconhecimento da identidade de Grenaldo devolve à família o direito ao luto e à preservação de sua história.
Durante a cerimônia, familiares agradeceram às equipes responsáveis pela identificação. O filho de Grenaldo, Grenaldo da Silva Mesut, afirmou que o sepultamento encerra uma espera de décadas e permite à família prestar uma despedida digna. A neta, Paloma, também homenageou o avô e destacou a importância do momento para a memória familiar.
A presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Eugênia Augusta Gonzaga, ressaltou que a identificação foi resultado de anos de trabalho conjunto entre instituições brasileiras e internacionais, além da colaboração dos familiares. Representando a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Amelinha Teles afirmou que cada identificação representa um avanço na busca por memória e reparação.
Quem foi Grenaldo de Jesus Silva
Natural do Maranhão, Grenaldo de Jesus Silva era oficial da Marinha. Em 1964, foi preso após reivindicar melhores condições de trabalho e, posteriormente, recusou-se a apoiar o golpe militar. Perseguido pelo regime, passou a viver na clandestinidade.
Em 1972, aos 31 anos, morreu durante uma tentativa de captura de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Seu corpo foi enterrado como indigente no Cemitério Dom Bosco e permaneceu sem identificação até 2025, quando foi reconhecido pelo Projeto Perus.