O fechamento do Estreito de Ormuz em fevereiro derrubou 20% da oferta global de petróleo e mandou o barril passar de US$ 100 — enterrando as projeções de US$ 50 que analistas defendiam até semanas antes.
Segundo o Estadão, a Petrobras saiu de um diesel congelado por mais de 300 dias direto para um reajuste de 11,6%, ainda insuficiente para cobrir a defasagem em relação ao mercado internacional — a maior desde que a empresa abandonou o PPI em 2023.
A presidente Magda Chambriard garantiu que a política de preços não muda, enquanto a estatal registrava lucro de R$ 110 bilhões em 2025 — 200% acima do ano anterior — e cancelava importações de diesel para maio.
O problema é que o petróleo não deve voltar ao patamar anterior tão cedo. “Os países vão ter de recompor reservas e o preço vai continuar pressionado por alguns meses, mesmo que a guerra acabe agora”, avalia Edmar Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio.
No varejo, a conta chegou. Postos relataram desabastecimento no Sul do país, a ANP passou a fiscalizar preços abusivos e o governo colocou a agência no papel de xerife de um mercado cada vez mais tenso.
A Petrobras controla cerca de 70% do abastecimento nacional e diz que abril está garantido — mas o conflito no Oriente Médio não tem data para acabar, e cada declaração de Trump move o mercado em direção diferente.