Principal nome da seleção da Noruega, adversária do Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo neste domingo (5), o atacante Erling Haaland também se destaca fora dos gramados por sua rotina alimentar. O jogador consome cerca de 6 mil calorias por dia, quantidade muito acima da recomendada para um adulto e semelhante à adotada por fisiculturistas em períodos de ganho de massa muscular.
A alimentação do atacante foi detalhada por ele no documentário Haaland: A Grande Decisão. O cardápio é baseado em alimentos frescos e minimamente processados, com destaque para carnes, vísceras como fígado e coração bovino, além de leite e derivados. Segundo o atleta, a estratégia faz parte da preparação física para suportar a intensa carga de treinamentos e partidas.
A rotina alimentar de Haaland também já foi comentada por companheiros de seleção. O atacante Josh King chegou a brincar ao comparar o camisa 9 a um urso devido à quantidade de comida consumida diariamente.
Especialistas ressaltam, porém, que esse tipo de dieta é desenvolvido para atletas de alto rendimento e não deve ser reproduzido pela população em geral. A professora Ellen Cristini de Freitas, da Escola de Educação Física e Esportes de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), explica que a nutrição esportiva é planejada de acordo com o gasto energético, a recuperação muscular e as necessidades específicas de cada atleta.
Ela destaca que uma alimentação adequada para pessoas que não praticam esporte em nível profissional deve ser equilibrada, individualizada e compatível com o estilo de vida e o nível de atividade física. Já o consumo excessivo de calorias ou a adoção de alimentos específicos, como vísceras, sem orientação profissional, não traz necessariamente benefícios para a saúde.
O especialista em Ciências da Saúde Rafael Pitta afirma que, no futebol de elite, a alimentação influencia diretamente a reposição de energia, a recuperação muscular e o desempenho ao longo da temporada. Além da dieta, ele ressalta que a hidratação é outro fator essencial, já que a perda de líquidos pode comprometer o rendimento físico e a capacidade de tomada de decisões durante as partidas.
De acordo com as diretrizes da UEFA, a alimentação deve ser a principal fonte de nutrientes para jogadores profissionais, enquanto suplementos são indicados apenas quando necessários. A estratégia nutricional varia conforme fatores como posição em campo, carga de treinos, composição corporal, calendário de jogos e tempo disponível para recuperação, fazendo com que atletas da mesma equipe possam seguir planos alimentares bastante diferentes.