A indústria do Rio Grande do Norte gerou R$ 12,77 bilhões em riqueza, empregou 66.548 pessoas e movimentou R$ 28,32 bilhões em vendas ao longo de 2024, segundo dados da Pesquisa Anual da Indústria (PIA-Empresa), divulgada nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento, que considera empresas com cinco ou mais pessoas ocupadas, identificou 2.057 indústrias em atividade no estado e mostrou a importância do setor para a economia potiguar, que respondeu por 6% do valor de transformação industrial registrado no Nordeste.
Os dados revelam que as empresas industriais do estado desembolsaram mais de R$ 2,38 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações durante o ano. A remuneração média dos trabalhadores foi equivalente a dois salários mínimos. Além disso, os custos das operações industriais somaram R$ 15,3 bilhões no período.
A fabricação de produtos alimentícios foi a principal atividade industrial do estado em 2024. O segmento registrou receita de R$ 6,74 bilhões, liderou em número de unidades locais, com 550 estabelecimentos, e foi o maior empregador da indústria potiguar, com 16.472 trabalhadores. A confecção de artigos do vestuário e acessórios apareceu em seguida, com 15.514 pessoas ocupadas.
Já a extração de petróleo e gás natural se destacou como a atividade que mais gerou riqueza para a economia estadual. O setor respondeu por R$ 2,49 bilhões em valor de transformação industrial (VTI), o equivalente a 19,55% do total registrado no Rio Grande do Norte. A fabricação de produtos alimentícios ficou em segundo lugar nesse indicador, com R$ 2,09 bilhões.
De acordo com o analista do IBGE Marcelo Miranda, o VTI representa a riqueza efetivamente criada pela atividade industrial, calculada a partir da diferença entre o valor bruto da produção e os custos das operações industriais. Por isso, atividades extrativas costumam apresentar maior valor agregado, mesmo sem liderar em empregos ou faturamento.
A pesquisa mostra que a fabricação de produtos alimentícios teve custos operacionais de R$ 4,6 bilhões, enquanto a extração de petróleo e gás registrou despesas de aproximadamente R$ 577 milhões, fator que contribui para o desempenho superior do segmento no indicador de geração de riqueza.
O IBGE ressalta que os resultados de 2024 inauguram uma nova série histórica das pesquisas estruturais econômicas. A mudança ocorreu após a substituição da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) pelo eSocial como fonte de atualização do Cadastro Central de Empresas (Cempre), além da adoção de novos indicadores administrativos da Receita Federal. Com isso, os dados atuais não podem ser comparados diretamente aos de anos anteriores.