O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou nesta quinta-feira (11) os Estados Unidos de utilizarem argumentos falsos para justificar a proposta de um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. A declaração foi feita durante evento na sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília. As informações são da Folha de São Paulo.
Segundo Lula, o governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, estaria repetindo uma estratégia já utilizada anteriormente. “Estados Unidos mentiram da primeira vez, dizendo que tinham déficit. Mostramos que eles tinham superávit. Agora fazem o mesmo com a questão do desmatamento”, afirmou o presidente.
No início de junho, autoridades norte-americanas defenderam a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas desleais e citando questões ambientais entre os motivos para a medida. O governo brasileiro contesta as justificativas e afirma que os indicadores recentes mostram queda nos alertas de desmatamento.
De acordo com dados apresentados pelo governo federal, os alertas de desmatamento caíram 37,5% na Amazônia e 8,2% no Cerrado nos últimos dez meses, na comparação entre os períodos de agosto de 2024 a maio de 2025 e de agosto de 2025 a maio de 2026. Apenas em maio deste ano, a redução foi de 61,4% na Amazônia e de 12,2% no Cerrado, segundo o sistema Deter, utilizado para monitoramento em tempo real.
Lula afirmou que pretende encaminhar essas informações ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e disse que o país norte-americano desconhece os esforços brasileiros para alcançar a meta de desmatamento zero até 2030.
“O Brasil não quer briga. Queremos respeito, igualdade, civilidade e comércio para o desenvolvimento dos dois países”, declarou.
Ministros do governo também criticaram as acusações feitas pelos Estados Unidos. O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os números apresentados “derrubam definitivamente” a justificativa americana para impor novas tarifas. Já a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, disse que as críticas ao Brasil não correspondem aos dados oficiais divulgados pelo governo.
A proposta de tarifaço ainda não entrou em vigor e depende de decisão final do presidente Donald Trump. Enquanto isso, o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas para tentar evitar a adoção das novas taxas.