O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) trocaram acusações nesta terça-feira (8) sobre o tarifaço anunciado pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros. O episódio ocorreu após a participação do senador em uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington, onde pediu a suspensão das tarifas de 25% aplicadas ao Brasil.
A manifestação de Flávio foi interpretada pelo governo Lula como uma tentativa de reduzir impactos eleitorais da medida e desvincular o senador das articulações feitas por aliados junto a autoridades americanas. Integrantes do Palácio do Planalto afirmaram que a atuação do parlamentar teve caráter eleitoral e acusaram o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro de contribuir para a adoção das tarifas.
Durante a audiência, Flávio afirmou que o momento para a implementação das taxas seria inadequado devido à proximidade das eleições brasileiras. Segundo o senador, as tarifas poderiam ser exploradas politicamente pelo governo Lula e acabar fortalecendo a atual gestão. Ele também defendeu o Pix, sistema de pagamentos brasileiro que passou a ser citado nas discussões envolvendo as medidas comerciais dos Estados Unidos.
“Em apenas noventa dias, o cenário político do país poderá ser completamente diferente. Impor agora uma tarifa que seria difícil de reverter, premiando aqueles que são responsáveis pelas ações em questão e punindo aqueles que suportaram suas consequências, seria o pior momento possível para agir”, afirmou Flávio, segundo nota divulgada por sua assessoria.
O governo federal reagiu à participação do senador. Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), o Palácio do Planalto afirmou que houve um “claro objetivo eleitoreiro” na atuação de Flávio e declarou que “convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria”.
A Secom também afirmou que existe diferença entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e acusou o senador de não reconhecer possíveis impactos da atuação de seus aliados nas decisões tomadas pelos Estados Unidos. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou a iniciativa como uma “diplomacia clandestina da pior qualidade”.
A disputa ocorre em meio à tentativa de Flávio Bolsonaro de afastar a associação entre seu nome e o aumento das tarifas americanas. Desde o anúncio das medidas, aliados de Lula passaram a relacionar o tarifaço à atuação do senador e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto a representantes do governo dos Estados Unidos.
O episódio amplia o confronto político entre Lula e Flávio Bolsonaro, com o tarifaço sendo explorado pelos dois grupos como argumento político: enquanto o governo reforça o discurso em defesa da soberania nacional, aliados do senador atribuem à gestão Lula a responsabilidade pelas consequências econômicas da medida.