A investigação sobre a fraude bilionária nas Americanas ganhou um novo capítulo depois da segunda fase da Operação Disclosure, realizada nessa quinta-feira (25), pela Polícia Federal (PF), que mira cinco executivos de grandes bancos: dois do Itaú (um ex-executivo), dois do Santander e um do Bradesco.
Até o momento, a PF não informou por que esses profissionais passaram a ser investigados. No entanto, um relatório enviado à Justiça em julho de 2024 já apontava que funcionários de bancos poderiam ter colaborado com o esquema ao alterar documentos para esconder operações financeiras realizadas pela varejista.
A investigação se concentra nas chamadas operações de risco sacado, modalidade em que um banco antecipa o pagamento aos fornecedores e assume temporariamente a dívida da empresa. Essas operações devem ser comunicadas ao Banco Central e registradas nas chamadas cartas de circularização, documentos utilizados por auditorias para verificar as informações contábeis das empresas.
Segundo a PF, as Americanas teriam omitido essas operações dos balanços financeiros. Além disso, ex-executivos da companhia são suspeitos de convencer funcionários de bancos a alterar as cartas de circularização, dificultando a identificação das irregularidades pelas auditorias.
Em relatório, a Polícia Federal classificou a prática como um exemplo da “audácia” do grupo investigado. De acordo com o documento, integrantes do esquema teriam cooptado funcionários de instituições financeiras para modificar os registros e manter as fraudes contábeis ocultas.
Apesar de serem alvos da operação, os cinco investigados ocupam ou ocuparam cargos executivos nas instituições financeiras e não atuavam diretamente nas operações diárias dos bancos.
Os nomes citados pela investigação são:
- Gustavo Balassiano, ex-executivo do Itaú BBA, onde trabalhou por 11 anos. Desde 2020 atua na XP Investimentos.
- José de Castro Araújo Rudge Filho, codiretor de Infraestrutura e Energia do Itaú e ex-diretor da área de Corporate Investment Banking.
- Carlos Henrique Villela Pedras, diretor do Bradesco e integrante do conselho de administração da Alelo.
- André Juaçaba de Almeida, vice-presidente de Corporate Banking e diretor-executivo do Bradesco.
- Alexandre Abdo, executivo do Santander há 16 anos, responsável pelas áreas de indústria, aviação, logística, tecnologia e telecomunicações.
A fraude contábil nas Americanas veio à tona em janeiro de 2023 e é estimada em R$ 25,2 bilhões, sendo considerada uma das maiores da história do mercado financeiro brasileiro.
Com informações do Metrópoles