O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu deixar de lado pautas de costumes, como aborto e casamento entre pessoas do mesmo sexo, em sua estratégia de aproximação com o eleitorado evangélico. A iniciativa faz parte de um esforço da legenda para ampliar o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre um segmento que, nas últimas eleições presidenciais, esteve majoritariamente alinhado ao bolsonarismo.
A estratégia tem sido conduzida pelo núcleo evangélico do partido, que recentemente divulgou uma carta voltada ao segmento religioso. O documento destaca ações dos governos petistas nas áreas social, econômica e de liberdade religiosa, além de defender programas como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida, sem abordar temas considerados mais sensíveis para parte do eleitorado evangélico.
Segundo o coordenador nacional do setorial inter-religioso do PT, Gutierres Barbosa, o foco da legenda é dialogar com os fiéis a partir de pautas consideradas prioritárias. “Existem temas centrais para nós, e vamos dialogar com os segmentos religiosos quanto a eles. Pessoas religiosas serão tratadas com respeito pelo PT”, afirmou.
A movimentação ocorre em meio a sinais de crescimento de Lula entre os evangélicos. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última semana apontou aumento das intenções de voto no presidente em um cenário de segundo turno, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registrou queda no mesmo segmento.
Na carta, o PT também destaca iniciativas relacionadas à liberdade de culto, ao reconhecimento da música gospel como patrimônio cultural e à criação de datas voltadas ao combate à intolerância religiosa. O texto afirma que os governos petistas sempre mantiveram uma relação de respeito com as igrejas evangélicas e incentiva a participação dos fiéis nos debates públicos.
Além das pautas sociais, o documento aborda temas como segurança pública, combate ao crime organizado, proteção das mulheres e defesa da soberania nacional. Para a legenda, essas agendas podem ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico sem recorrer ao que chama de uso eleitoral da fé.
Com informações de O Globo