Quem criou o Pix? Entenda a origem do sistema em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro

A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante audiência promovida pelo governo dos Estados Unidos, na terça-feira (7), reacendeu o debate sobre a autoria do Pix. O parlamentar afirmou que o sistema “é do Bolsonaro” por ter sido lançado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende que o Pix “é do Brasil”.

Na prática, o sistema foi lançado em 16 de novembro de 2020, durante o governo Bolsonaro, mas começou a ser desenvolvido em 2018, ainda na gestão de Michel Temer (MDB). O projeto foi coordenado pelo Banco Central e contou, ao longo de cerca de 31 meses, com a participação de técnicos da instituição e representantes de aproximadamente 130 bancos, fintechs, empresas de tecnologia e entidades do setor financeiro.

Os estudos para a criação de um sistema de pagamentos instantâneos tiveram início ainda em 2014. Em 2018, o Banco Central criou um grupo de trabalho para desenvolver a infraestrutura do novo modelo, que passou a permitir transferências e pagamentos em poucos segundos, 24 horas por dia, todos os dias da semana.

O tema voltou ao centro das discussões após o Pix ser citado na investigação comercial aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. Durante a audiência, Flávio Bolsonaro afirmou que o sistema não representa um problema para os americanos e pode, inclusive, beneficiar empresas dos Estados Unidos.

Além da disputa política, a autoria do Pix também é alvo de uma ação judicial. Desde 2024, a professora e empreendedora Anette Vernaschi Toppan afirma que uma tecnologia desenvolvida por ela serviu de base para o sistema e pede indenização ao Banco Central. A instituição nega as acusações, sustenta que o Pix foi desenvolvido de forma independente e o processo segue em tramitação na Justiça.

Com informações da Folha de S.Paulo