A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais elevaria o custo médio do trabalho de um empregado com carteira assinada em 7,84%, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).
De acordo com o levantamento, o impacto da mudança seria semelhante aos efeitos provocados por reajustes históricos do salário mínimo, o que indica que a maior parte das empresas teria capacidade de absorver o aumento de custos.
“O resultado ponderado da jornada de 40 horas aponta efeitos reduzidos nos custos totais”, afirma o instituto. Para os pesquisadores, a experiência brasileira com aumentos reais do salário mínimo reforça essa avaliação.
Maioria dos celetistas trabalha 44 horas por semana
O estudo aponta que 31,8 milhões dos 44 milhões de trabalhadores celetistas registrados na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2023 cumprem jornada semanal de 44 horas.
Entre os 87 setores econômicos analisados, 31 têm mais de 90% dos trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas semanais. Mesmo assim, em grandes setores empregadores — como fabricação de produtos alimentícios e comércio atacadista e de veículos — o impacto nos custos seria inferior a 1%.
Impacto varia entre setores
Segundo os cálculos do Ipea, cerca de 10 milhões de vínculos empregatícios estão em setores nos quais o aumento do custo da mão de obra superaria 3% do custo total da atividade. Outros 3 milhões de vínculos estão em setores com impacto superior a 5%.
Ainda assim, o instituto destaca que, em setores como indústria e serviços, o impacto da jornada de 40 horas seria, em média, inferior a 1% do custo operacional das empresas.
“Mesmo considerando segmentos que demandariam atenção específica, a maioria dos setores teria capacidade de absorver a mudança”, aponta o estudo.
Serviços de limpeza e vigilância seriam os mais afetados
Os pesquisadores indicam que empresas de serviços intensivos em mão de obra, como limpeza e vigilância, seriam as mais impactadas pela redução da jornada.
“Nesses casos, o efeito é maior devido à elevada participação da mão de obra nos custos”, afirma o Ipea. No setor de vigilância, segurança e investigação, o impacto no custo operacional pode chegar a 6,6%, o maior entre os segmentos analisados.
Aumento de custo não implica desemprego, diz estudo
Segundo os autores, o aumento do custo do trabalho não implica automaticamente redução da produção nem aumento do desemprego. O estudo compara o cenário com a política de valorização do salário mínimo adotada nas últimas duas décadas.
De acordo com o instituto, os aumentos reais do salário mínimo ocorridos no período não provocaram efeitos negativos relevantes sobre o nível de emprego, reforçando a tese de que o mercado de trabalho pode absorver mudanças graduais nos custos trabalhistas.