As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem ter impacto limitado na economia do Brasil, segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI). A análise foi divulgada nesta quinta-feira (24), em relatório que reúne a consulta anual do Artigo IV e a revisão do setor financeiro (FSAP).
De acordo com o FMI, o efeito macroeconômico das medidas tende a ser modesto porque as exportações brasileiras para os Estados Unidos representam menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). O organismo também destaca que a diversificação dos mercados e o aumento das exportações de soja para a China ajudaram a reduzir os impactos sobre a balança comercial.
O relatório aponta ainda que a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo e a forte participação de fontes renováveis na matriz energética fortalecem a resiliência da economia diante das incertezas do cenário internacional.
Para 2026, o Fundo projeta crescimento de 2,4% para a economia brasileira, impulsionado pelos preços internacionais do petróleo e por estímulos fiscais. Apesar da perspectiva positiva, o FMI recomenda um ajuste fiscal mais ambicioso para reduzir a dívida pública, controlar a inflação e abrir espaço para a redução das taxas de juros.
A instituição ressalta, no entanto, que a elevada incerteza global e o agravamento de tensões geopolíticas continuam sendo fatores de risco para o crescimento econômico mundial e brasileiro.