Estão abertas as inscrições para a chamada de elenco do longa-metragem Abya Yala – Raízes do Futuro (título provisório), nova produção da Floriô de Cinema, em Sergipe. A seleção busca mulheres negras (pretas ou pardas) e indígenas, cis ou trans, nas faixas etárias de 25 a 35 anos e de 55 a 70 anos.
As interessadas devem residir em Sergipe e ter disponibilidade para participar de ensaios e filmagens entre janeiro e novembro de 2027. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas por meio de formulário online. Dúvidas deverão ser enviadas através do e-mail: [email protected]
O filme acompanha Dandara, uma mulher que vive no ano 3000 e viaja para o passado em busca da árvore de Abya Yala, único ser capaz de regenerar a flora de um futuro devastado pela crise ambiental. Ao chegar em 2030, ela descobre que sua comunidade enfrenta os impactos da expansão de uma empresa de data centers. Ao lado de sua ancestral Anaxé, precisará lutar para salvar tanto o passado quanto o futuro.
Segundo a diretora Carolen Meneses, a obra propõe uma reflexão sobre memória, ancestralidade e preservação ambiental a partir de perspectivas africanas, indígenas e quilombolas.
“A minha ideia com este projeto é falar sobre a importância da preservação da memória na construção da nossa identidade. Durante o processo de pesquisa das filosofias africanas, indígenas e quilombolas, percebi que elas acreditam que todo ser vivo é detentor de uma energia vital. No Abya Yala busco disseminar essa cosmovisão de respeito à natureza como esperança de futuro”, afirma.
Para a cineasta, realizar seu primeiro longa-metragem em Sergipe também representa um marco para o audiovisual local. “Poder contar com um aporte financeiro é importante porque nos garante autonomia para fortalecer os cinemas negros e descentralizados. Acreditamos na importância dos investimentos públicos para consolidar e ampliar essas cinematografias”, destaca.
A Floriô de Cinema é uma produtora sergipana comprometida com o impacto cultural por meio do audiovisual. Em trabalhos como Corpus-Água e Ímã de Geladeira, desenvolve narrativas que atravessam memória, território e identidade, apostando em um cinema capaz de remodelar imagens, criar novas histórias e ampliar as possibilidades de representação no imaginário coletivo.