No RN, criança autista desenha para pedir volta às aulas e mãe desabafa: “Sociedade faz de conta que não existimos”; VEJA VÍDEO

Desenho de Alberto pede retomada das aulas presenciais; mãe desabafa sobre assunto – Foto: Reprodução

Com as aulas presenciais suspensas desde o ano passado, por causa da Covid-19, o garoto Alberto, de 14 anos, que mora em Natal, usou um desenho para expressar seu maior desejo no momento: voltar a frequentar a escola e rever os colegas e professores.

Autista em grau severo, o jovem está no 9º ano do ensino fundamental e não se expressa verbalmente. Em função do autismo, ele ainda está se alfabetizando. Alberto estuda na rede privada de ensino e, desde o ano passado, só tem aula no sistema remoto, em casa. É a única modalidade de ensino autorizada pelo Governo do Estado para essa faixa etária.

Com a suspensão das aulas presenciais, além da dificuldade de aprendizagem do conteúdo regular, Alberto tem tido prejuízos na terapia que o ajuda a conviver com o autismo. No desenho, realizado durante uma atividade escolar em casa, Alberto imaginou seu retorno à escola. No boneco que o representa, ele escreveu a seguinte frase: “Quero ir para a escola”.

Mãe faz apelo ao Governo do Estado

Mãe de Alberto, a médica ginecologista Rochele Elias fez um apelo nesta terça-feira (11) ao Governo do Estado para que autorize a retomada das aulas presenciais. A cobrança vem no momento em que a governadora Fátima Bezerra (PT) discute os termos do novo decreto de isolamento, que será publicado nesta quarta-feira (12).

Em entrevista ao programa 12 em Ponto 98, da Rádio 98 FM Natal, Rochele Elias explicou que, em função das necessidades especiais de aprendizagem, Alberto não consegue aprender no sistema remoto, o que aprofunda as deficiências que ele já tem naturalmente. Confira a entrevista abaixo.

Segundo Rochele, a suspensão das aulas presenciais provoca um prejuízo para todas as crianças, mas as que têm autismo e outros transtornos ou deficiências sofrem ainda mais com o problema.

“Nós que somos mães de pessoas atípicas estamos acostumadas a sermos invisíveis na sociedade. A sociedade faz de conta que não existimos. Temos escola negada, professor que não adapta tarefa, e isso de agora é apenas consequência. Em nenhum momento o Estado nos ofereceu uma voz, lembrou de nós”, desabafou.

A médica e mãe de autista diz que entende a necessidade de cumprir medidas preventivas para evitar o avanço da Covid-19, mas analisa que já há segurança para o retorno das aulas presenciais, desde que sejam respeitados os protocolos sanitários.

“Meu filho não tem condição de assistir aula online. Isso vai fazer muito mal a longo prazo. E o que o Estado vai dar de saúde a esses meninos atípicos? Eles já não têm acompanhamento regular”, explicou.

Crítica ao Sinte

Rochele Elias também criticou o Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte), que foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) e conseguiu derrubar uma decisão da Justiça Estadual que obrigava a retomada das aulas presenciais, em formato híbrido. “As pessoas do Sinte estão dentro de casa trancadas ou estão passeando?”, indagou.

Os educadores defendem que as aulas presenciais só sejam retomadas quando os trabalhadores das escolas estejam vacinados contra a Covid-19, o que não tem prazo para acontecer. Rochele criticou a posição dos educadores comparando a atividade de ensino à da saúde.

“O professor vai estar de máscara (na sala de aula). Nós médicos não paramos de trabalhar. E nós fomos não para ambiente com protocolo; fomos atender pacientes contaminados ou suspeitos, num momento em que não se conhecia nada sobre a doença”, apontou.

A mãe de Alberto enfatizou, ainda, que trabalhadores de vários setores estão trabalhando normalmente mesmo não tendo sido vacinados e mesmo tendo contato com o público em geral. “As pessoas de supermercado e farmácia não são gente? As famílias delas não importam? Só importam a dos professores? E a saúde mental dos seus alunos, não importa?”, finalizou, em recado ao Sinte.

Confira a entrevista de Rochele Elias ao programa 12 em Ponto 98:

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