A campeã olímpica Ana Marcela Cunha adicionou mais um feito à sua carreira nesta quarta-feira (22). A brasileira concluiu a tradicional travessia do Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, em 8h25min29s, estabelecendo o novo recorde sul-americano da prova entre homens e mulheres.
Ao longo do desafio, Ana Marcela percorreu aproximadamente 37 quilômetros, superando um dos percursos mais emblemáticos e exigentes da natação em águas abertas.
Um dos maiores desafios da modalidade
A travessia do Canal da Mancha é considerada uma das provas mais difíceis do mundo devido às fortes correntes marítimas, às mudanças de maré, ao intenso tráfego de embarcações e às constantes variações das condições climáticas.
Dona de 16 medalhas em Campeonatos Mundiais e campeã olímpica nos Jogos de Tóquio, Ana Marcela tinha a conclusão da travessia como um dos principais objetivos da temporada.
Equipe acompanhou toda a travessia
Durante o percurso, a atleta foi acompanhada por uma embarcação de apoio.
No barco estavam o técnico Kafu, o guia brasileiro Igor de Souza, reconhecido pela experiência em travessias do Canal da Mancha, além do comandante da embarcação, um árbitro responsável pela homologação da prova, um representante do Guinness World Records e um videomaker.
Apesar da presença de um representante do Guinness, a quebra do recorde mundial não fazia parte das metas da brasileira.
A melhor marca feminina da história pertence à tcheca Yvetta Hlavácová, que completou a travessia em 7h25min, em 2006. Entre os homens, o recorde é do alemão Andreas Waschburger, com 6h45min, registrado em 2023.
Para encarar o desafio, Ana Marcela realizou uma preparação específica voltada às condições do Canal da Mancha.
A nadadora fez um treinamento simulado de 12 horas e 42 quilômetros durante a noite, na Represa Billings, em São Paulo. Também passou por sessões de adaptação ao frio em uma piscina do Sesc Petrópolis, treinando em águas com temperatura próxima de 17°C.
O planejamento teve como objetivo preparar a atleta para enfrentar as baixas temperaturas e as condições adversas encontradas no estreito que separa Inglaterra e França.