O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não irá prestar depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A oitiva estava marcada para segunda-feira (23), mas foi cancelada após decisão do Supremo Tribunal Federal.
A informação foi confirmada à Agência Brasil pelo advogado Roberto Podval. A ausência do banqueiro está respaldada por despacho do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão proferida na quinta-feira (19), o magistrado entendeu que o comparecimento é facultativo, já que Vorcaro figura na condição de investigado.
Além da sessão da CPMI do INSS, o empresário também tinha depoimento previsto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, mas igualmente não é obrigado a comparecer.
O presidente da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), confirmou o cancelamento e informou que a pauta da reunião foi alterada.
Acesso a dados restabelecido
Em outra decisão, André Mendonça determinou a devolução à CPMI do acesso aos dados obtidos por meio da quebra de sigilo telemático, bancário e telefônico de Vorcaro. A comissão investiga o suposto envolvimento do Banco Master em empréstimos consignados e descontos indevidos em aposentadorias.
A medida revogou entendimento anterior do ministro Dias Toffoli, que havia retirado os dados da comissão e determinado que o material permanecesse sob guarda da presidência do Senado.
Mendonça também ordenou que as informações sejam enviadas à Polícia Federal (PF), responsável por investigar as fraudes no banco. Após análise, os dados deverão ser compartilhados com a CPMI.
Alfredo Gaspar comemorou a decisão, classificando-a como “vitória da transparência”, e afirmou que o envio imediato do material à PF fortalece as investigações.
Operação e valores investigados
Em novembro de 2025, Vorcaro e outros investigados foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a concessão de créditos supostamente falsos pelo Banco Master. A investigação inclui ainda a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público vinculado ao governo do Distrito Federal.
Segundo apurações preliminares, as fraudes podem alcançar R$ 17 bilhões.
Com informações da Agência Brasil