
A médica infectologista Roberta Lacerda, que ganhou notoriedade por defender a prescrição de medicamentos como a ivermectina para pacientes com Covid-19, afirmou neste domingo (16) que os críticos do chamado tratamento precoce contra a doença são os reais “responsáveis pelo genocídio no Brasil”, por sustentarem que o tratamento mais intensivo deve ser iniciado apenas com sinais de agravamento da doença.
A fala aconteceu durante uma manifestação em Natal (RN) a favor da “autonomia médica”. Nas imediações da Praça Cívica, no bairro Petrópolis, Roberta Lacerda discursou em defesa da prescrição de drogas para tratar pacientes acometidos do novo coronavírus, mesmo que não haja comprovação científica robusta da eficácia dos medicamentos.
A médica usou a palavra “genocídio” em referência às mais de 435 mil vítimas da Covid-19 até agora no Brasil – o segundo maior número de óbitos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O termo, porém, é comumente utilizado pela oposição para criticar justamente os defensores do tratamento precoce e a postura do presidente Jair Bolsonaro contra as medidas preventivas, o que, segundo críticos, contribuiu para a proliferação da doença no País.
“A gente já sabe quem são os responsáveis pelo genocídio no Brasil. É quem negou o tratamento precoce e continua negando. Não mandem mais as pessoas para casa com dipirona, não façam kit sinusite, não prescrevam corticoide na primeira semana. Esses são os principais causadores de malefícios para os nossos pacientes, que ficam mendigando de pronto-socorro em pronto-socorro, como se fossem uma bola de pingue-pongue, indo e voltando, simplesmente porque não têm um scanner alterado ou não caiu a saturação. Isso é o cúmulo. Nunca vi isso na história da medicina. Ninguém trata uma doença quando espera ela agravar”, discursou a médica.
Sem apresentar as fontes das pesquisas, Roberta Lacerda argumentou que há estudos mostrando a eficácia de 12 medicamentos contra a Covid-19 e que as drogas são prescritas para os pacientes conforme a evolução de cada caso. O tratamento, segundo ela, é individualizado. Ela defende a intervenção médica logo no início dos sintomas, para evitar internações e óbitos.
“Quando as pessoas vão acordar dessa quimera que apenas lockdown, vacina e tratamento em hospital é a solução? Se isso fosse verdade, São Paulo teria os menores índices de letalidade. Lá estão os maiores centros de medicina, de tecnologia, a maior quantidade de leitos de UTI e a cidade que mais cidade fez lockdown. Mas vão encher leitos de UTI e não vão salvar as pessoas que nós salvamos de dentro de casa pelo telefone”, afirmou.
A médica reforçou que não prescreve “kit Covid”, e sim que tem à disposição um conjunto de medicamentos, que são prescritos conforme a análise de cada caso.
“Não estamos defendendo droga a, b ou c. Temos mais de 12 medicamentos estudados que têm ação contra a Covid. Não existe droga mágica nem médico infalível, mas tanto vacina quanto medicamento servem para reduzir chances de risco de agravamento. E é esse direito pelo qual estamos lutando, pelo nosso direito de prescrever e o direito de o paciente ter acesso a esses medicamentos, seja no SUS ou na saúde suplementar. A autonomia médica não pode ser desrespeitada e o paciente tem que ter o seu direito ao tratamento preservado”, afirmou.