A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo menos 63 vezes nos primeiros seis meses de 2026. As ações incluem representações por propaganda antecipada, pedidos de remoção de conteúdo e solicitações de direito de resposta.
Além do volume de processos, chama atenção o foco crescente no uso de Inteligência Artificial (IA) durante a pré-campanha. Em 17 representações, a equipe jurídica do PT questiona publicações produzidas ou alteradas com o uso da tecnologia. A apuração é da Folha de S.Paulo.
IA se torna alvo frequente das ações
Os pedidos protocolados pela campanha, assinados pelo advogado Ângelo Ferraro, citam vídeos e conteúdos divulgados por adversários políticos que utilizariam inteligência artificial para criar ou manipular situações.
Entre os temas contestados estão publicações relacionadas ao desfile de Carnaval que homenageou Lula, ao escândalo dos descontos indevidos no INSS, ao caso Banco Master e a acusações de suposta ligação do PT e do presidente com organizações criminosas.
Em uma das representações apresentadas contra o PL, a campanha afirma que vídeos teriam criado fatos inexistentes para associar o governo federal a facções criminosas.
Flávio Bolsonaro concentra maior número de ações
Das 63 ações protocoladas neste ano, 18 foram direcionadas contra a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O PT também apresentou representações contra o ex-governador Romeu Zema (Novo) e outros pré-candidatos ligados ao campo bolsonarista.
Segundo os registros, a maior parte das ações está relacionada a supostos casos de propaganda eleitoral antecipada.
Judicialização cresce antes do início oficial da campanha
O aumento das disputas judiciais ocorre mesmo antes do início oficial da campanha eleitoral, previsto para agosto.
De acordo com dados citados pela equipe petista, o número de ações protocoladas neste período é cerca de seis vezes maior do que o registrado no mesmo estágio das eleições anteriores.
PT cria monitoramento permanente das redes sociais
Para acompanhar a circulação de conteúdos considerados falsos ou enganosos, a campanha de Lula estruturou uma central de monitoramento digital em tempo real.
A equipe jurídica acompanha publicações nas redes sociais e avalia eventuais medidas judiciais sempre que identifica conteúdos considerados desinformativos ou potencialmente irregulares.
A estratégia busca ampliar a fiscalização sobre o uso de inteligência artificial e combater a disseminação de informações falsas durante o processo eleitoral de 2026.