Companhias aéreas ampliam uso de IA, mas mantêm decisões com humanos

A projeção faz parte de um estudo da empresa de tecnologia Amadeus, desenvolvido em parceria com a Microsoft, que aponta uma evolução da chamada IA agêntica. Foto: Agência Brasil

A inteligência artificial amplia espaço na aviação comercial e já auxilia companhias aéreas na gestão de voos, no atendimento aos passageiros e no planejamento operacional. Apesar do avanço da tecnologia, empresas do setor afirmam que decisões relacionadas à segurança permanecem sob responsabilidade de profissionais, sem autonomia para sistemas de IA.

A projeção faz parte de um estudo da empresa de tecnologia Amadeus, desenvolvido em parceria com a Microsoft, que aponta uma evolução da chamada IA agêntica e foi divulgado em reportagem do O GLOBO. O conceito prevê sistemas capazes de executar tarefas complexas de forma integrada, como reorganizar passageiros, redefinir rotas e administrar operações aeroportuárias em situações de emergência.

Embora o cenário indique maior automação, especialistas destacam que essa evolução não inclui a condução autônoma de aeronaves. Segundo as companhias ouvidas pela reportagem, qualquer decisão que envolva a segurança dos voos continua sujeita à supervisão humana.

Companhias ampliam uso da tecnologia

Na Gol, a inteligência artificial já faz parte de dezenas de projetos internos voltados à previsão de cenários operacionais e à redução de impactos para passageiros. A empresa, porém, afirma que sistemas automatizados não têm autorização para alterar a malha aérea ou tomar decisões estratégicas.

De acordo com o diretor de Tecnologia da companhia, Luiz Borrego, em entrevista para O GLOBO, essa limitação decorre de uma política de governança voltada à segurança operacional.

A Latam também emprega inteligência artificial para analisar informações meteorológicas, estimar consumo de combustível e monitorar a cadeia de suprimentos. Mesmo com a capacidade de processar grandes volumes de dados em pouco tempo, a empresa afirma que a tecnologia atua apenas como ferramenta de apoio às equipes.

Segundo a vice-presidente de Digital e TI do grupo, Juliana Rios, a intenção é ampliar a capacidade de análise dos profissionais, mantendo o processo decisório sob responsabilidade humana.

Já a Azul utiliza sistemas de visão computacional no Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), para acompanhar, por meio de câmeras, as etapas de preparação das aeronaves entre pousos e decolagens. As informações são enviadas ao centro de controle operacional para auxiliar no monitoramento das atividades em solo.

Especialistas defendem cautela

Para especialistas, a expansão da inteligência artificial na aviação encontra limites quando envolve decisões críticas.

O engenheiro aeronáutico Adalberto Febeliano explicou ao jornal que avalia que escolhas relacionadas à segurança, como definir um aeroporto alternativo em caso de fechamento de um terminal, ainda dependem da análise humana.

Na mesma linha, o professor da Escola Politécnica da UFRJ, Natanael Júnior, afirma que modelos de inteligência artificial operam com base em probabilidades e, por isso, não eliminam totalmente o risco de respostas incorretas em situações complexas.

Além disso, especialistas apontam que desafios enfrentados pela aviação brasileira, como a saturação de aeroportos, dependem principalmente de investimentos em infraestrutura e gestão, e não apenas da adoção de novas tecnologias.