EUA mandam delegado brasileiro envolvido na prisão de Ramagem deixar o país

Deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O governo dos Estados Unidos determinou que um delegado da Polícia Federal brasileira deixe o país após sua atuação em um caso envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (20) pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental.

Sem citar nomes, a autoridade americana afirmou, em publicação nas redes sociais, que um funcionário estrangeiro teria tentado “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas” em território norte-americano. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição”, diz o comunicado.

A Embaixada do Brasil em Washington confirmou que o delegado citado é Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE).

O caso envolve a detenção de Alexandre Ramagem, ocorrida no dia 13 de abril, em Orlando, na Flórida. Na ocasião, a Polícia Federal informou que a prisão se deu por questões migratórias, e o ex-parlamentar foi encaminhado a um centro de detenção. Ele foi liberado dois dias depois.

Após deixar a unidade prisional, Ramagem divulgou um vídeo nas redes sociais agradecendo ao governo norte-americano, citando integrantes da administração de Donald Trump. Segundo ele, a liberação ocorreu de forma administrativa, sem decisão judicial ou pagamento de fiança.

Ramagem deixou o Brasil em 2025 após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele é apontado como integrante do núcleo central da articulação que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

De acordo com investigações da Polícia Federal, o ex-deputado deixou o país de forma clandestina antes da conclusão do julgamento. Informações indicam que ele atravessou a fronteira de Roraima com a Guiana e, posteriormente, seguiu para os Estados Unidos.