Família de Moraes recebeu até 645 vezes mais que advogados em contrato com Banco Master

O acordo estabelecia repasses que poderiam chegar a R$ 129 milhões ao longo de três anos. Foto: André Dusek/Estadão

Um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, prevê pagamentos que superam, em larga escala, valores relatados por outros profissionais da área de compliance.

O acordo estabelecia repasses que poderiam chegar a R$ 129 milhões ao longo de três anos. Durante a vigência do contrato, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, foram pagos cerca de R$ 75,6 milhões, com desembolsos mensais próximos de R$ 3,6 milhões. O vínculo foi encerrado antes do prazo após a liquidação do banco.

Em nota, o escritório informou que atuou com uma equipe de 15 profissionais na elaboração, revisão e implementação de políticas internas de conformidade, incluindo a atualização do código de ética da instituição. Parte dessas atividades, no entanto, já havia sido iniciada por outros prestadores em anos anteriores.

Relatos de profissionais que atuaram anteriormente no banco indicam que serviços semelhantes foram contratados por valores significativamente menores. Um deles afirmou ter recebido cerca de R$ 200 mil pela elaboração de políticas na área em 2022.

A análise de documentos internos aponta que diversas políticas mencionadas como parte do escopo do contrato foram produzidas por funcionários do próprio banco ou por outros escritórios, em períodos que coincidem com a atuação da equipe contratada. Em alguns casos, os registros digitais não indicam participação direta do escritório de Viviane na criação dos conteúdos.

Especialistas consultados avaliam que, considerando padrões do mercado, serviços dessa natureza costumam ter custo inferior, mesmo quando executados por grandes bancas. Estimativas sugerem valores próximos de R$ 7,8 milhões para atividades similares, embora esse cálculo não inclua eventuais serviços adicionais nas áreas penal e administrativa.

Também foram identificados casos em que outros escritórios prestaram serviços diretamente ao banco, sem vínculo com o escritório contratado posteriormente, o que levanta questionamentos sobre a divisão e a execução das atividades.

O tema envolve ainda o contexto de investigações sobre o Banco Master no STF, relacionadas a suspeitas de irregularidades financeiras. Até o momento, não há conclusão oficial sobre eventuais inconsistências nos contratos analisados.

Com informações do Estadão