[VÍDEO] Ferramenta do WhatsApp permite que pais controlem contatos e grupos de filhos; especialistas opinam

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Uma nova funcionalidade do WhatsApp promete ampliar o controle de pais e responsáveis sobre a forma como crianças e adolescentes utilizam o aplicativo de mensagens. A ferramenta permitirá definir quem pode enviar mensagens para os menores e em quais grupos eles poderão participar.

Veja na matéria de Anderson Lopez:

Além disso, os responsáveis poderão analisar pedidos de contato feitos por números desconhecidos e gerenciar configurações de privacidade da conta. As mudanças fazem parte de uma tentativa de aumentar a proteção de usuários mais jovens no ambiente digital.

Para a advogada Samua Martins, presidente da Comissão da Infância e Juventude da Ordem dos Advogados do Brasil, a medida representa um avanço na proteção de crianças e adolescentes.

Segundo ela, plataformas digitais também precisam assumir responsabilidade na prevenção de crimes contra menores.

“A gente está incluindo dentro da sociedade, porque não deixa de ser uma empresa que está aqui e hoje é um dos canais onde ocorrem violências e abusos contra crianças e adolescentes. É um caminho onde essas violações acontecem”, afirmou.

Com o avanço da tecnologia e o acesso cada vez mais cedo de crianças e adolescentes às redes sociais, cresce também a preocupação com a segurança digital. A nova ferramenta surge justamente como uma tentativa de oferecer mais controle aos pais sobre o que os filhos acessam dentro do aplicativo.

De acordo com a empresa responsável pelo aplicativo, a Meta Platforms, todas as configurações de controle parental serão protegidas por um PIN criado pelos responsáveis.

Mesmo com o novo recurso, o conteúdo das conversas continuará privado. As mensagens permanecem protegidas por criptografia de ponta a ponta, o que significa que nem os pais nem a própria plataforma terão acesso às conversas trocadas.

No Brasil, também entrou em vigor neste mês o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, legislação que obriga plataformas digitais a adotar medidas para prevenir riscos como assédio, violência e exploração de menores na internet.

Para a psicóloga Débora Sampaio, no entanto, as ferramentas tecnológicas não substituem o acompanhamento familiar.

“Muitas famílias acreditam que basta instalar um aplicativo de monitoramento para que a criança esteja segura. Mas a segurança digital começa justamente no relacionamento de confiança e no diálogo entre pais e filhos”, explicou.

Segundo ela, aplicativos de controle podem ajudar a limitar o tempo de uso, bloquear conteúdos inadequados e acompanhar quais plataformas estão sendo utilizadas. Ainda assim, o principal é que a criança compreenda os limites e desenvolva responsabilidade no uso da tecnologia.

“Mais do que vigiar, os pais precisam educar para esse uso consciente. Nenhum aplicativo substitui pais presentes, participativos e atentos”, afirmou.

Especialistas em segurança digital também alertam que, mesmo com novas ferramentas de proteção, é necessário manter atenção constante para evitar golpes, contatos suspeitos e outros crimes virtuais. O perito em computação Clésio Azevedo destaca que a prevenção continua sendo essencial no ambiente digital.