O governo federal calcula que 47,3% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão impactadas pelas tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump. A estimativa considera a nova sobretaxa de 12,5%, anunciada na quinta-feira (23), além das tarifas já em vigor.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), a nova medida decorre de uma investigação sobre trabalho forçado. Além dela, continuam valendo a tarifa de 25%, anunciada na semana passada, e a sobretaxa aplicada ao aço e ao alumínio, em vigor desde 2025.
Governo detalha impacto das tarifas
Em nota divulgada nesta sexta-feira (24), o Mdic informou que as medidas adotadas com base na Seção 301 deverão atingir 23,1% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.
Desse total, 4,7% das exportações serão afetadas apenas pela tarifa de 12,5%. Nessa categoria estão produtos como obras de pedra e gesso, minérios, óleos essenciais, itens de perfumaria e pescados.
Além disso, 1,9% das vendas externas ficarão sujeitas exclusivamente à tarifa de 25%, que alcança, entre outros produtos, o açúcar.
Outros 16,5% das exportações sofrerão a incidência simultânea das duas medidas. Com isso, esses produtos passarão a enfrentar uma sobretaxa acumulada de 37,5%. A lista inclui máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.
Comércio entre Brasil e EUA perdeu ritmo
Na avaliação do Mdic, o aumento das tarifas ocorre em um cenário de desaceleração do comércio entre Brasil e Estados Unidos.
Segundo o ministério, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano alcançaram o recorde de US$ 40,4 bilhões em 2024. Em seguida, o valor caiu para US$ 37,7 bilhões em 2025 e continuou em trajetória de queda ao longo de 2026.
No primeiro semestre deste ano, as vendas somaram US$ 17,4 bilhões, resultado 13% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
Petróleo e aço puxaram queda nas exportações
De acordo com o Mdic, a redução das exportações foi influenciada principalmente pela queda nos embarques de óleos brutos de petróleo, que recuaram 30,4%.
Além disso, as exportações de produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço diminuíram 21,7%.
Para o ministério, os números mostram que o comércio bilateral perdeu força após alcançar níveis historicamente elevados nos últimos anos.