A liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A., determinada nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central do Brasil, deve mobilizar cerca de R$ 4,9 bilhões em garantias a serem pagas pelo Fundo Garantidor de Créditos. Segundo o próprio fundo, a instituição possui uma base estimada de 160 mil credores com depósitos elegíveis à cobertura.
De acordo com nota divulgada pelo FGC, os pagamentos serão realizados conforme o regulamento da entidade e a partir das informações fornecidas pelo liquidante nomeado pelo Banco Central. O processo de liberação dos valores terá início assim que o levantamento completo dos dados dos credores for concluído e disponibilizado ao fundo.
O FGC orienta que depositantes e investidores utilizem o aplicativo oficial do fundo, disponível nas plataformas digitais, para realizar o cadastro prévio. Em etapa posterior, após o envio da lista de credores pelo liquidante, será possível solicitar a garantia, indicando a conta bancária de titularidade do beneficiário para recebimento dos recursos.
Somados aos R$ 40,6 bilhões relacionados ao Banco Master e aos R$ 6,3 bilhões do Will Bank, também liquidados anteriormente, o montante de garantias acionadas pode chegar a R$ 51,8 bilhões, sem considerar eventuais empréstimos emergenciais concedidos pelo fundo.
O Banco Pleno, antigo Voiter, e a Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) já integraram o conglomerado do Banco Master, que é alvo de investigações por supostas fraudes financeiras. A instituição pertence ao empresário Augusto Lima, conhecido como Guga, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master.
Segundo o Banco Central, o conglomerado Pleno é classificado como instituição de pequeno porte, enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, com participação de 0,04% dos ativos totais e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional. A liquidação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da liquidez, além de infrações às normas que regem sua atividade e descumprimento de determinações do BC.
Com a medida, ficam indisponíveis os bens dos controladores e administradores do Banco Pleno e da Pleno DTVM.
Como funciona o FGC
Criado em 1995, o Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que atua como mecanismo de proteção a depositantes e investidores em caso de intervenção ou liquidação de instituições financeiras associadas. O fundo é mantido por contribuições mensais dos próprios bancos.
A cobertura é limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Estão incluídos na garantia produtos como depósitos à vista, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA, Letras de Câmbio e Letras Hipotecárias. Segundo o próprio FGC, 99,6% dos clientes das instituições associadas estão integralmente protegidos dentro do limite estabelecido.
Com informações do Metrópoles