Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecem que as críticas à Corte já entraram no centro do debate eleitoral de 2026. No entanto, o grupo se divide sobre a melhor estratégia para enfrentar o cenário e evitar desgaste institucional.
De um lado, parte dos magistrados defende respostas públicas mais firmes. Do outro, há quem prefira discrição e menor exposição durante a campanha.
Duas estratégias opostas dentro do STF
De acordo com a apuração do jornal Folha de S.Paulo, um grupo liderado por Gilmar Mendes avalia que o tribunal deve reagir de forma direta a ataques. Esse posicionamento tem apoio de ministros como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli.
Esse grupo entende que críticas podem gerar ganhos eleitorais para adversários do tribunal, especialmente no campo da direita, e defende reações mais duras.
Já outra ala, alinhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, propõe um caminho diferente. Com apoio de Cármen Lúcia, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, esse grupo defende mais cautela, autocontenção e menor protagonismo público.
Críticas externas intensificam tensão
Segundo a Folha, o debate interno se intensificou após episódios recentes envolvendo críticas de políticos. Entre eles, o senador Alessandro Vieira e o ex-governador Romeu Zema, que passaram a incluir o STF em seus discursos.
Além disso, discussões sobre investigações, como o inquérito das fake news, ampliaram as divergências dentro da Corte.
Impacto pode chegar às eleições e ao TSE
Ainda de acordo com o jornal, as diferenças também devem influenciar a atuação do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições de 2026. O ministro Kassio Nunes Marques, que deve assumir a presidência do tribunal, tende a adotar uma postura mais restritiva na intervenção sobre conteúdos políticos.
Assim, o STF entra no ciclo eleitoral dividido entre reagir com firmeza ou adotar discrição, enquanto tenta preservar sua imagem em meio à polarização política.