PF aponta mensagens que citam Jaques Wagner como elo entre banqueiro e governo Lula

Os diálogos integram a investigação da Operação Compliance Zero, que apura supostos crimes financeiros relacionados ao Banco Master. Foto: redes sociais

Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro Daniel Vorcaro citam o senador Jaques Wagner como possível intermediário para o envio de recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os diálogos integram a investigação da Operação Compliance Zero, que apura supostos crimes financeiros relacionados ao Banco Master.

Segundo a PF, as mensagens reforçam indícios de proximidade entre Vorcaro e pessoas com influência política na Bahia e em Brasília. O conteúdo, extraído do aparelho do banqueiro, integra os elementos analisados na nova fase da investigação e foi divulgado por reportagem do Estadão.

Conversa menciona envio de recado a Lula

De acordo com o relatório policial, a conversa ocorreu em 17 de julho de 2024 entre Daniel Vorcaro e Fernando Mascarenhas Filho, diretor comercial do Banco Master.

Na troca de mensagens, Mascarenhas afirmou que o banco era visto como próximo ao governo federal, em situação semelhante à dos empresários Joesley Batista e Wesley Batista.

Após comentar que essa percepção seria positiva para a imagem da instituição, Vorcaro sugeriu que a informação fosse encaminhada ao presidente Lula e à base governista. Em resposta, Mascarenhas escreveu: “Vou mandar então pra tio Guiga e Jaques”.

Segundo a PF, a referência seria ao publicitário Guilherme Sodré Martins, conhecido como Guiga, e ao senador Jaques Wagner.

Investigação aponta supostas vantagens indevidas

De acordo com a reportagem, a Polícia Federal sustenta que há indícios de que Jaques Wagner tenha recebido vantagens econômicas de Daniel Vorcaro e do empresário Augusto Ferreira Lima.

Entre os fatos investigados está a suposta aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos que teriam sido destinados a uma empresa ligada a familiares do senador.

Segundo a PF, essas vantagens teriam relação com a atuação parlamentar de Wagner em temas considerados estratégicos para os interesses do Banco Master, incluindo discussões sobre crédito consignado, alterações envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e o processo de venda do banco ao Banco de Brasília.

Wagner nega relação com Vorcaro

Em nota, Jaques Wagner afirmou que não possui qualquer relação com Daniel Vorcaro e ressaltou que não participou das conversas citadas pela investigação.

“O senador não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros, das quais sequer participou e cujo contexto desconhece. Não existiu intermediação e não existe relação”, declarou a defesa.

A assessoria do parlamentar também sustenta que ele não favoreceu o Banco Master em sua atuação no Senado.

Operação segue em andamento

A nona fase da Operação Compliance Zero teve como alvo, além de Jaques Wagner, o empresário Augusto Ferreira Lima, que voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

A defesa de Augusto Lima afirmou que as diligências foram desnecessárias e reiterou que o empresário está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

A investigação continua para apurar a existência de pagamentos indevidos, tráfico de influência e possíveis benefícios concedidos a integrantes do grupo investigado.

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