PF investiga R$ 14,2 milhões pagos a empresa da família de Ciro Nogueira pelo grupo Refit

O contrato foi assinado por Raimundo Nogueira, irmão do parlamentar, que já foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal.

Senador Ciro Nogueira (PP-PI) - Foto: Geraldo Magela / Senado
Geraldo Magela / Senado Federal

Uma empresa da família do senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu R$ 14,2 milhões de uma firma ligada ao grupo Refit, de Ricardo Magro. O contrato foi assinado por Raimundo Nogueira, irmão do parlamentar, que já foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal. A informação é do Estadão.

A investigação da PF sobre sonegação e corrupção da Refit identificou o pagamento à empresa Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. A transação foi comunicada ao Supremo Tribunal Federal e será investigada, segundo informações obtidas pelo Estadão.

Ciro Nogueira confirmou o pagamento e disse que se trata da venda de um terreno para uma distribuidora de combustíveis. O senador afirmou que a transação foi declarada às autoridades dentro da legalidade.

A defesa de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima informou que não comentaria o caso. O irmão do senador foi alvo de busca e apreensão na quinta fase da Operação Compliance Zero, em 7 de maio.

O contrato descreve a venda de um terreno de 40 hectares no Piauí para a Athena Real Estate, empresa que integra a teia do grupo Refit. O pagamento de R$ 14,2 milhões foi feito em parcelas mensais entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025.

Segundo a PF, a Athena era a principal beneficiária do fundo EUV Gladiator, investigado pela Operação Sem Refino. A empresa era utilizada pelo grupo Refit para aquisição de imóveis com recursos investigados.

O grupo Refit é liderado por Ricardo Magro, apontado pela Receita Federal como o maior devedor contumaz de impostos do Brasil. As dívidas do grupo superam R$ 26 bilhões, e Magro é investigado por fraudes, sonegação de ICMS e lavagem de dinheiro.

No caso do Banco Master, a PF suspeita que Daniel Vorcaro pagava ao senador uma mesada de R$ 300 mil. Parte dos repasses teria sido feita à CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa administrada por Raimundo Nogueira.

A decisão judicial da Compliance Zero afirma que a CNLF apresentou movimentações incompatíveis com sua atividade econômica. O documento conclui que Raimundo Nogueira atuava como agente formal e operacional da estrutura empresarial vinculada ao senador.

Nota do senador Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira lamenta as recorrentes tentativas de associá-lo a escândalos, as quais serão inevitavelmente frustradas, uma vez que não praticou nenhum ato irregular ou ilegal. Em relação ao caso em questão, esclarecemos que empresa que adquiriu o terreno buscava uma área superior a 40 hectares com o propósito de construir uma distribuidora de combustíveis. O valor mencionado pelo repórter se refere à venda dessa área, situada em local altamente valorizado em Teresina, cuja venda foi regular e totalmente declarada junto aos órgãos competentes em valores condizentes com o mercado. Ressalte-se que a empresa da família do senador atua justamente no segmento imobiliário, na compra, venda e aluguel de imóveis. Informamos, ainda, que o senador atualmente sequer detém participação na empresa e que, na época do negócio, sua participação era inferior a 1%.O senador Ciro Nogueira manifesta sua total tranquilidade no que se refere a essas e outras insinuações. Ele destaca ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos mencionados, acusações que surgem, estranhamente, em ano eleitoral com a clara intenção de desgastar sua imagem junto ao povo do Piauí.