PF prende pastor e cumpre mandados contra ex-deputado, bicheiro e filho de ex-governador do RJ

Esta etapa investiga pagamentos do jogo do bicho e da chamada "Máfia do Cigarro" a agentes públicos.

Foto: Instagram/Reprodução

O pastor Marcio Poncio foi preso nesta quinta-feira (2) pela Polícia Federal na 5ª fase da Operação Unha e Carne. Há também mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, ambos já encarcerados. A informação é do G1.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, expediu os três mandados de prisão e outros 14 de busca e apreensão, entre eles contra o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral. Esta etapa investiga pagamentos do jogo do bicho e da chamada “Máfia do Cigarro” a agentes públicos.

Marco Antônio Cabral negou as acusações. O g1 tenta contato com a defesa dos demais investigados.

Poncio foi preso em um flat na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. Pastor da Igreja da Nuvem e empresário, é pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, e é investigado por possíveis ligações com a “Máfia do Cigarro”.

Adilsinho, contraventor do jogo do bicho, é apontado como chefe do esquema. Segundo a PF, a fase apura indícios de lavagem de dinheiro e possível ramificação junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do estado.

Bacellar será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu para um presídio federal. Moraes também determinou o sequestro de bens e valores até R$ 22 milhões.

A ação integra o julgamento da ADPF das Favelas, que determinou à PF investigar grupos criminosos violentos no Rio e suas conexões com agentes públicos. Esta fase deriva da Operação Fumus, de 2021, que mirava o monopólio de cigarros no Grande Rio e já havia identificado planilhas com supostos repasses a políticos.

A TV Globo apurou que ao menos 20 políticos são investigados por receber mesada de Adilsinho, preso em fevereiro deste ano em Cabo Frio. Em abril, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter ouvido de um diretor da PF que mais de 30 deputados da Alerj recebiam pagamentos do jogo do bicho.