PEC da escala 6×1: economistas e empresários apontam riscos do prazo curto de transição

Economista Robson Gonçalves, da FGV, afirma que a redução de jornada, em outros países, ocorreu após ganhos consolidados de produtividade

Pedro Ventura/Agência Brasília.

A PEC que extingue a escala 6×1 prevê transição de 14 meses para reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais. Economistas e líderes empresariais avaliam que o prazo aumenta os riscos para empresas e para a economia. A informação é d’O Globo.

O economista Robson Gonçalves, da FGV, afirma que a redução de jornada, em outros países, ocorreu após ganhos consolidados de produtividade. No Brasil, parte relevante dos setores ainda opera com produtividade estagnada.

Para Gonçalves, o investimento em automação e reorganização produtiva está atrasado e não pode ser concluído em dois anos. Ele defende etapas intermediárias a cada seis meses, ao longo de dois ou três anos.

O consultor Leonardo Baldez Augusto alerta que empresas com margens apertadas podem rever planos de investimento e expansão. A incerteza sobre custos tende a travar decisões até que os impactos da mudança fiquem mais claros.

Micro e pequenas empresas concentram o maior risco, segundo Augusto, por operarem com menos flexibilidade financeira e operacional. A capacidade de absorver mudanças rápidas de custo é mais limitada nesses negócios.

O CEO do Grupo PMD, Gustavo Braz, afirma que a mudança vai além da legislação trabalhista e afeta modelos operacionais inteiros. Setores como varejo, logística, alimentação e serviços precisarão revisar escalas, equipes e estrutura de atendimento.

Braz alerta que empresas podem concluir automaticamente que precisam contratar mais, sem antes identificar ineficiências internas. Retrabalho, processos ruins e gestão pouco eficiente podem ser a causa real da perda de produtividade.

México, Chile e Colômbia adotaram transições semelhantes com prazos entre quatro e cinco anos. O prazo de 14 meses previsto no Brasil é considerado pelos especialistas curto demais para ajustes estruturais consistentes.