Brasil bate recorde de inadimplência com 81,7 milhões de CPFs negativados em fevereiro

Foto: Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

O Brasil registrou um novo recorde de inadimplência em fevereiro de 2026, com 81,7 milhões de pessoas com o nome negativado, segundo dados do Mapa da Inadimplência da Serasa.

O número vem em trajetória de alta e supera o registrado há uma década. Em fevereiro de 2016, eram 59 milhões de inadimplentes, um crescimento de 38% no período.

Além do avanço no número de negativados, o valor médio das dívidas também subiu. Em 2016, cada pessoa devia, em média, R$ 5.880,02. Dez anos depois, o valor chegou a R$ 6.598,13, alta de 12,2%.

Mesmo com a redução recente da taxa básica de juros, a Selic, o cenário não deve apresentar melhora no curto prazo, de acordo com a Serasa.

Especialistas apontam que a inadimplência não está ligada apenas ao nível de juros, mas também ao ritmo da economia e ao custo de vida.

Segundo a economista-chefe da Serasa, Camila Abdelmalack, fatores como renda comprometida e atividade econômica influenciam diretamente a capacidade de pagamento da população.

O estudo indica que, em média, os brasileiros comprometem 70,5% da renda com despesas básicas, como contas de serviços e dívidas.

Além disso, 70% da população relata aumento no custo de vida nos últimos 12 meses, com destaque para gastos com supermercado, contas recorrentes e moradia.

Nesse cenário, dívidas acabam sendo deixadas em segundo plano.

Perfil dos inadimplentes

A inadimplência se concentra principalmente nas faixas de renda mais baixas:

  • 48% ganham até um salário mínimo
  • 30% recebem até dois salários mínimos

O levantamento também mostra mudanças no perfil:

  • As mulheres passaram a representar mais de 50% dos inadimplentes
  • Pessoas com mais de 60 anos já são 19% do total

Segundo a Serasa, o aumento entre idosos está relacionado à maior presença desse grupo no ambiente digital e à exposição a fraudes.

Sistema financeiro lidera dívidas

O setor financeiro segue como principal origem das dívidas, com participação que subiu de cerca de 38% no período pré-pandemia para aproximadamente 45% atualmente.

Com isso, há uma tendência de desaceleração na oferta de crédito mais barato, o que pode levar a um aumento do endividamento com juros mais altos.