Os setores petrolífero, pesqueiro e salineiro do Rio Grande do Norte são os principais afetados pela tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, de acordo com o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), Roberto Serquiz. Ele destaca que a elevação nas tarifas gera preocupação em nível nacional, uma vez que os Estados Unidos são o maior importador do Brasil.
“Essa preocupação se amplia quando olhamos para o Rio Grande do Norte. Nossa produção, hoje, tem uma dependência dos recursos naturais, como o petróleo, fruticultura, pesca, mineração e o sal. Esses setores serão impactados com essa tarifa de 50%”, diz.
Serquiz destacou que os impactos para o Rio Grande do Norte podem ser diretos e severos. “Os Estados Unidos são o segundo maior importador dos nossos produtos. E, quando se fala do Rio Grande do Norte, a gente tem uma relação comercial pautada pelo nosso petróleo, que representa 45% do nosso PIB industrial. Esse petróleo, que é o nosso destaque do ponto de vista de exportação, está sendo atingido frontalmente com essa tarifa”, diz Serquiz.
“Nosso pescado é exportado exclusivamente para lá. E o sal, que produzimos em 95% do total nacional, também tem nos EUA um de seus maiores mercados”, detalhou.
Segundo ele, dois navios com até 40 mil toneladas de sal partem mensalmente do RN para o mercado americano, que pode ser drasticamente reduzido com a nova tarifa. Além do sal, setores como pesca, petróleo, frutas, cerâmica e confecções também podem ser afetados ainda neste segundo semestre.
A tarifa de 50% é a mais alta entre as definidas até agora pelos EUA e entra em vigor no dia 1º de agosto, a menos que o Brasil firme um novo acordo comercial com o governo americano. Outras 21 nações também foram notificadas, mas nenhuma com uma taxação tão alta quanto a brasileira.
Para Roberto Serquiz, a medida ameaça a competitividade do produto potiguar e pode provocar uma onda de demissões e redução de investimentos no estado. “Estamos a menos de 24 horas do anúncio. Vai depender muito da atuação diplomática, e estamos torcendo por isso, para que ela seja equilibrada, que esse diálogo flua de forma racional e que se olhe realmente para os perigos que isso pode trazer para a economia brasileira e, olhando aqui para o nosso Estado, para a nossa economia, em função da nossa dependência arrecadatória desses ativos naturais”, completou Serquiz.
A federação defende uma articulação imediata entre o setor produtivo e o governo federal para tentar reverter ou mitigar os impactos. A preocupação central é: não perder espaço em um dos principais mercados para produtos potiguares.
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