Governo brasileiro diz que não há justificativas para tarifas impostas pelos EUA

Em nota, o Planalto classificou a decisão como um "marco lastimável" nas relações entre os dois países e confirmou que adotará medidas contra a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

Foto: Pedro França/Agência Senado

O governo brasileiro divulgou nota repudiando a decisão dos Estados Unidos (EUA), anunciada nesta quarta-feira (15), de impor tarifas de 25% sobre produtos vindos do Brasil. A medida estadunidense passa a valer a partir do próximo dia 22, com base em investigações feitas por Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Na nota, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um retrocesso nas relações bilaterais. “O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, afirmou o governo. O Executivo informou ainda que iniciará “imediatamente” os trâmites previstos na Lei de Reciprocidade e recorrerá ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”.

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O governo brasileiro rejeitou as conclusões da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas irregularidades em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. Na nota, o Planalto classificou como infundadas as alegações envolvendo o sistema de pagamentos brasileiro e a política ambiental do país.

O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, informa a nota.

A nota também destaca que, nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 78 representantes do setor privado dos dois países participaram dos debates, dos quais 63 se posicionaram contra o tarifaço. O governo afirma ainda que os Estados Unidos acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços nas relações comerciais com o Brasil nos últimos 15 anos e informou que continuará adotando medidas para reduzir os impactos da tarifa por meio do Plano Brasil Soberano, preservando empregos, a capacidade produtiva nacional e buscando novos mercados para os produtos brasileiros.

Com informações da Agência Brasil