Flávio capitaliza desgaste de Lula e cresce em cenário de economia pressionada, apontam pesquisas

Presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Agência Brasil/ Agência Senado
Foto: Agência Brasil/ Agência Senado

A seis meses da eleição presidencial de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não conseguiu reverter a avaliação negativa do governo, especialmente no campo econômico, e aparece numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas mais recentes. O avanço do senador é atribuído por analistas a um conjunto de fatores que combina desgaste do atual governo, transferência de capital político e reorganização do campo da direita.

Levantamentos divulgados nas últimas semanas indicam que Lula enfrenta dificuldade para melhorar a percepção do eleitorado sobre a economia, ponto considerado decisivo para a definição do voto. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro consolida apoio entre eleitores de direita e amplia presença em segmentos mais moderados, sobretudo após ser escolhido como nome para representar o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O cenário também reflete mudanças no ambiente político desde o início do ano. A saída de potenciais concorrentes da disputa, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), contribuiu para reduzir a fragmentação no campo conservador. Com isso, Flávio passou a concentrar votos e aparece como principal adversário de Lula.

Pesquisas de institutos como Datafolha, Quaest e Meio/Ideia indicam empate técnico em alguns cenários, mas com vantagem numérica do senador em determinados recortes. Ambos os candidatos, no entanto, registram índices elevados de rejeição, o que mantém o ambiente eleitoral aberto e sujeito a oscilações.

Analistas apontam que o desempenho de Flávio está diretamente ligado ao desgaste do governo federal. A avaliação de que a economia não evoluiu conforme esperado pesa contra Lula e tende a influenciar o comportamento do eleitorado. Levantamentos recentes mostram que mais da metade dos entrevistados considera que o presidente não merece um novo mandato.

Por outro lado, o presidente ainda mantém alta taxa de conhecimento entre os eleitores, o que historicamente representa uma vantagem em disputas nacionais. A expectativa de recuperação da avaliação do governo durante o período eleitoral é vista como um fator que pode reequilibrar a disputa.

No caso de Flávio Bolsonaro, o principal desafio apontado é ampliar o nível de conhecimento junto ao eleitorado. Apesar de herdar o capital político do pai, o senador ainda é menos conhecido nacionalmente. Especialistas avaliam que o início oficial da campanha tende a reduzir essa diferença, ao mesmo tempo em que pode intensificar a polarização entre os dois campos.

O cenário projetado até o momento é de uma eleição marcada pela divisão entre direita e esquerda, com espaço reduzido para candidaturas alternativas. A evolução da economia e a capacidade de mobilização das campanhas devem ser determinantes para o desfecho da disputa.