Governo vê dissidências no Senado após rejeição de Jorge Messias ao STF e avalia reação

Foto: Ricardo Stuckert / PR

A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal levou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mapear votos contrários dentro da própria base e a discutir possíveis desdobramentos políticos. Em reunião realizada na noite de quarta-feira (29), no Palácio da Alvorada, ministros e aliados avaliaram o resultado da votação no Senado e identificaram dissidências em partidos como MDB e PSD.

Segundo relatos de participantes, integrantes do governo atribuíram a articulação contrária ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e apontaram ainda a atuação do senador Rodrigo Pacheco e do ministro Alexandre de Moraes. A avaliação interna é de que houve um movimento coordenado para barrar a indicação e evitar mudanças na correlação de forças dentro da Corte.

Nos bastidores, aliados relataram que divergências políticas antecederam a votação. Pacheco era apontado como opção para a vaga no Supremo, enquanto Lula trabalhava para tê-lo como candidato ao governo de Minas Gerais. A escolha de Messias ocorreu após negociações, mas ainda enfrentava resistência entre lideranças do Senado.

Há também suspeitas direcionadas a integrantes do MDB. Interlocutores do governo mencionam os nomes do senador Renan Calheiros e do ministro dos Transportes, Renan Filho, como possíveis responsáveis por votos contrários. A leitura é de que a posição teria relação com a disputa pela vaga no Supremo, que também interessava ao ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas.

Diante do resultado, aliados do presidente discutem a possibilidade de mudanças no governo, incluindo a exoneração de indicados ligados a Alcolumbre, como os ministros Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). Apesar disso, participantes da reunião relataram que Lula manteve tom cauteloso e evitou decisões imediatas, defendendo uma avaliação mais detalhada do cenário político.

Messias obteve 34 votos favoráveis e 42 contrários, número insuficiente para aprovação. Trata-se da primeira rejeição, pelo Senado, de um indicado ao STF desde 1894. Após a votação, o presidente conversou por telefone com o advogado-geral e buscou transmitir apoio. Segundo aliados, Lula defende que eventuais decisões sejam tomadas após o feriado, com base em um diagnóstico mais preciso sobre o comportamento da base no Congresso.

No Congresso, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o momento exige cautela na condução política. Durante a tramitação, ele havia sinalizado expectativa de aprovação da indicação. Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também manteve contato com o presidente antes da votação e indicou um cenário favorável, avaliação que não se confirmou no plenário.